Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
Lançado em 2017, esse split LP conta com duas bandas bem cultuadas do underground: os brasileiros da Profane Creation e os nipônicos do Abigail, que fizeram algo interessante: cada banda dividiu um lado do vinil, onde mesclaram músicas de estúdio e ao vivo.
Começando dos brazucas, a banda entre idas e vindas, tem trinta e quatro anos de caminhada e bate até uma nostalgia ao falar de uma das bandas mais cultuadas do black metal nacional dos anos 90. Para ter uma noção, os zines xerocados eram a internet que tínhamos. A cada dez publicações, oito figuravam a banda, seja por resenhas ou entrevistas.
A "metade" da banda começa com uma intro bem macabra, que abre caminho para a caótica Portal do Inferno, Unholy Hordes é impiedosa, Lamentation possui partes cadenciadas, Nema é recheada de morbidez e Abomination se destaca pelos vocais assustadores.
O quarteto encerra sua participação com a clássica No Mercy, que é impossível não sentir saudades de três décadas atrás, graças a nostalgia ríspida, gélida e viciante. Uma pena que a gravação não está boa, mas é só aumentar o volume e curtir.
Com o mesmo tempo de estrada dos brasileiros e uma gravação um.pouco melhor, o Abigail, embora ríspido e veloz, investe nos caminhos do speed/black metal, onde se imagina que o trio faz um pandemônio nos palcos. O que ouvimos logo na faixa título, dona de um pique visceral.
Black Metal Pussy Cat é movida a adrenalina, Satanic Metal Fucking Hell é puro Motörhead, Hell's Necromancer é aquele momento que se imagina muitos bangers se amontoando nas rodas e eles deixaram o melhor para o final. Prophecy of Evening Star é inspirada na NWOBHM (instrumental), com ótimos solos, encerrando esse bolachão no maior alto astral.
Vale dizer que ambas as bandas estão por aí, inclusive os "japas" , que adotam splits, dividiram um álbum com os brasileiros do Thrashera.
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