domingo, 18 de outubro de 2026

TRINCA DE EP'S: ATTERO/MORTO/CASCAVEL

Por João Messias Jr.
Imagens: Divulgação 

Mexendo no acervo para selecionar as pautas para o canal/blog, percebi que tinha alguns EP'S para resenha e resolvi na data de hoje comentar esses três disquinhos em uma única postagem.

Estilos bem diferentes entre si, mas que cada uma no seu ritmo, com um potencial gigantesco para alçar novos vôos.

A primeira dessa leva é o quinteto mineiro de crossover Attero. Tendo na formação músicos que figuraram em bandas como Uganga, Krow e Cirrhosis, chamam a atenção pela excelente gravação e coesão musical. Com quatro faixas, o massacre tem início com Ego, que é pesadíssima, backings marcantes e guitarras com um pé no death metal. Barrabás é perfeita pro mosh, Lado A Lado é mortífera e o trabalho se encerra com a faixa título, Sobrevida, que possui um levada mais thrash e pique hecatômbico.

Puta banda, mas creio que não estão mais na ativa, pois nas redes sociais não há nada de novo desde 2023.
Dando sequência, saindo dos caminhos das fusões de hardcore e thrash, vamos para uma grata surpresa, que é o epic metal do Morto, que não verdade é uma one man band lá da Bahia, cujo material avaliado é a demo "A Maravilhosa Tragédia da Vida", de 2023, que para um trabalho nesse formato, está com uma boa qualidade de áudio.

Com cinco faixas, temos início com a faixa título, que é uma intro melancólica, abrindo caminho para A Balsa da Medusa, que conta com ótimos riffs, vocais bem encaixados na proposta e solos inspirados nos anos 80. Já Navegando nas Águas da Morte apresenta riffs hipnotizantes e um clima épico. Amon-ra é ritualística e o encerramento vem com um cover correto para Solitude do Candlemass.

Temos aqui ótimas ideias que geram curiosidade de como será um full do Morto.

Encerrando essa trinca de mini álbuns, vamos falar dos paulistas do Cascavel. Com uma galera que já atuou por bandas como Devastação Sob Terror, Dying Star e Head Krusher, lançaram em 2024 o EP The Myth of The Bloodthirsty Lioness, que apresenta um death metal coeso, trabalhado é visceral.

The Egregory of The Dark Ages faixa de abertura mostra uma ótima gravação é veloz e aponta uma marca registrada no trio, a divisão das vozes: uma gutural e outra berrada. A faixa título é densa e desesperadora e The Cult of The Ancient Spirit possui diversas mudanças de ritmo e soa perfeita para os palcos.

A banda passou por algumas mudanças na formação, com Cristiano "Magnus Hellbound" (ex-Spiritual Hate) no baixo e ficamos no aguardo do primeiro álbum "cheio" dos caras.

Enfim, um pequeno recorte do que acontece em cada canto do país.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sugar Kane: Antes Que o Amor Vá Embora (2024/2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
 

Com vinte e nove anos de estrada (alguns hiatos pelo caminho), o quarteto de Curitiba lançou em 2024 seu nono álbum de estúdio "Antes Que O Amor Vá Embora", cuja versão física ganhou a luz do dia dois anos depois via Läjä Records.

Antes de conversarmos sobre as canções, vale a pena dizer que o material tem um ótimo acabamento gráfico, uma produção que privilegiou como a banda é ao vivo (a cargo de Rafael Ramos junto com a banda) e mostra que os caras tem muita lenha pra queimar.

A mescla de hardcore melódico e poppy punk continua intacta, porém hoje os caras tocam melhor e isso da margem para que novos elementos sejam inseridos e é isso que faz desse disquinho algo especial. 

Agora abre o disco colocando todo mundo pra agitar e conta com as narrações de Jup do Morro. Acostumar é pura nostalgia, Lembro Bem é grudenta, Vai é puro hardcore com linhas vocais não usuais e Dormi no Chão pode ser considerado um dos hinos do álbum. Esse som ainda conta com a participação de Badaui (CPM22).

Original mescla peso e experimentalismos, Todos os Dias é curta e grossa, Pra Sempre tem uma letra juvenil que nos faz vir a mente nossas primeiras paixões, Puro Avesso, dona de um clipe bem legal é um som de impacto e Óleo na Pista é mais reta, rock and roll, que mantém o nível alto do trabalho.

Eu Acredito é puro alto astral e o cd se encerra com Estávamos Certos. Variada, possui momentos que vão de Beatles ao ska, terminando de forma visceral.

Olha, posso não ser um expert do estilo, mas entendo o suficiente pra entender que Antes Que O Amor Vá Embora mostra coesão, maturidade é uma energia que nos faz crer que o Sugar Kane tem muita lenha para queimar.

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domingo, 11 de outubro de 2026

Shitai: Shitai (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Uma banda nova formada por veteranos do cenário e cuja junção é algo mortífero, agressivo e que é destruídor ao vivo. Esse é o feedback que tive ao ouvir o primeiro EP desse quarteto de Guarulhos, lançado em 2025

Composta por figurões que transitam ou transitaram por bandas como Gestos Grosseiros, Insanitah, Subser, Anarkhon, Power From Hell e Screams of Hate, que pelo curriculum dos caras, se trata de algo realmente hecatombico, um mix de thrash, death e hardcore, que está embalado num simples e bonito digifile e uma ótima gravação.

Unindo faixas de estúdio e ao vivo, o trabalho tem início com Nascer, Crescer, Morrer, que apresenta riffs viciantes, vocais "gravões", ambiências e ótimos solos. Memento Mori é avassaladora e cheia de groove, Fome Terror mescla guitarras slayerizadas e um clima industrial perturbador.

Rigidez Cadavérica se destaca pelo ótimo trampo das seis cordas, Agressão Brutal, que é o primeiro bônus do cd, é um quebra pescoço curto e grosso.

As seguintes são bônus ao vivo. Assassino em série mistura agressividade com partes mais cadenciadas e a saideira vem com Dissecado, que é bem encorpada e climas de pura violência.

Não há mais o que dizer, apenas engrossar o coro de que venha o primeiro full.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Bellicus Daemoniacus : Ápices do Proibido (2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o terceiro trabalho de trio carioca, que executa um black metal mais primitivo, que recebe alguns momentos atmosféricos, que cantado em português, soa ainda mais assustador. O material contém uma bela capa, encarte simples e interessante, além de contar com uma gravação que deixou tudo mais "sujo".

O álbum, que tem cerca de trinta minutos, abre com Tempos Tenebrosos que é gélida, seguida de Os Ímpios Iconoclastas é mais sombria e com um ótimo solo. Meu Nome é Legião tem algo interessante que mostra uma das facetas da banda, que é mesclar tendências. Aqui temos linhas viscerais a outros sacras.

Em Negro Estado de Espírito tem vozes limpas como se estivessem declamando um poema, A Solitária Tormenta tem cheiro de palco, Nitmur In Vetitum é introspectiva e cadenciada com ares de invocação, Ode a Luz Ferreira intercala vociferações agressivas a outras em reza e Dei Negativo encerra o disco de forma agonizante.

Um trabalho interessante que irá agradar os fãs das vertentes mais cruas do estilo. Mas vale dizer que o nível técnico da turma é muito bom.

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domingo, 4 de outubro de 2026

Slaves of Time: Miserable Souls (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Conheci o duo de uma forma bem inusitada, por meio de uma live que participei no canal "Cultura Metal", onde um dos convidados citou o trabalho do Slaves of Time. Aí entrei em contato com a banda doABC paulista e adquiri o debut.

Vale a pena dizer que os experientes Tony Cayres e Klaus Monteiro fizeram bem o dever de casa, com uma boa gravação (só poderia ter ficado mais sujo o som) e um mix de power/prog e pop, que fez a alegria de muitos nos anos 2000.

O álbum tem início com a faixa título, que é bem introspectiva, Stuck In My Life é mais pop, Abyss of The Ego é pesada e épica, No Conditions possui um ritmo quebrado com vozes limpas bem sacadas.

The World Has No Future é variada é climática, The Fury mescla AOR/melódico, After The End é dramática e emocional e Dark Streets é aquele momento feito pra agitar, graças a mescla interessante de gótico/hard rock.

The Love Gave to You é um dos ápices do álbum graças aos climas progressivos, graças ao equilíbrio de vozes masculinas/femininas. Cast Away retoma os climas mais viajantes e Last Breath encerra o track normal do CD de forma mais emocional.

O álbum possui dois bônus track, a maravilhosa The Time Will Come From Him é uma outra versão para Stuck In My Life.

Miserable Souls tem como grande trunfo a diversificação e a ousadia, que como eu disse no início da resenha, se tivesse um som mais sujo, os resultados seriam melhores, mas isso é apenas uma questão de ouvido. 

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Sculpture: To Another Place (2018/2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Iniciativas como essa da UBL (Union of Black Labels) merecem aplausos. Não apenas por divulgarem a música extrema do cenário underground, também por resgatar "tesouros perdidos", como o debut do Sculpture, lançado originalmente em 2018 pela Hammer of Damnation.

Porém, nem tudo foram flores. Nessas conversas informais de rolê, a informação é que chegou a nós foi que onde prensaram os cds, ao invés de fazerem determinado número, fizeram mais, o que comprometeu o resultado, onde assim como foi comigo, muitos perderam seus álbuns, então esse relançamento foi como dar um final feliz a essa história.

Conhecidos pelas atuações em bandas como Necromesis, Ophirae, Seventh Seal, Lost Graveyard, The Black Spade, entre outros, Victor Próspero e Willian Marante enveredam num mix de black metal, progressivo, com elementos mais densos até etéreos, fazendo uma música pesada, mas ao mesmo tempo viajante é encantadora de ouvir.

Turn The Pages of Times abre o disco de forma emocional, Through Infinite Horizons é veloz e repleta de virtuosismo, enquanto Voices of Unconsciever Revelations possui momentos complexos e progressivos. Fragments of Deep Reflections é aquele som perfeito que você NÃO IMAGINA VOZES, pois se existissem, tiraria a magia da canção.

A Journey to The Empty and Perennial Silence é repleta de atmosferas emocionais e Carbon Dissolution é o bônus dessa nova versão, que é obscura e introspectiva, encerrando esse excelente álbum, que por se tratar de um relançamento, estará na listinha de muita gente.

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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Widowmaker: Stand By For Pain (1994)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Após a estreia primorosa (musicalmente) em "Blood and Bullets", o quarteto Widowmaker reaparece com um novo trabalho. Curiosamente, apesar do nome, formação e time de produção terem sido mantidos, houve uma grande mudança no direcionamento musical, fazendo algo mais contemporâneo, onde soaram mais densos, pesados e selvagens.

Mais uma vez com uma ótima produção, que enalteceu peso e timbres, além de um projeto gráfico a altura, o cd (lançado via Hellion aqui) tem início com Killing Time, que é puro groove.  A seguinte, Long Gone (teve videoclipe rolando na época) é bem sombria, enquanto Protect and Serve beira o thrash em muitos instantes.

Ready to Fall possui riffs "panteristicos", Circles é bem emocional e a faixa título é bem curiosa, graças aos suas partes fusion, Just Business tem passagens industriais e The Iron Road é puro minimalismo.

Bad Rain é uma balada dramática, Your Sorrow  possui ótimos solos e Cry a Dying Man's Tears é outra balada e All Things Must Change é a saideira, que começa introspectiva e se transforma numa Hecatombe, tendo ótimos vocais e guitarras.

Apesar da estranheza inicial, "Stand By For Pain" e recheado de ótimos momentos. Uma pena que um ano depois a banda encerrou as atividades, mas deixou um legado de dois excelentes álbuns, um de hard rock e outro mais "modernoso".

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TRINCA DE EP'S: ATTERO/MORTO/CASCAVEL

Por João Messias Jr. Imagens: Divulgação  Mexendo no acervo para selecionar as pautas para o canal/blog, percebi que tinha alguns EP'S p...