domingo, 4 de outubro de 2026

Slaves of Time: Miserable Souls (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Conheci o duo de uma forma bem inusitada, por meio de uma live que participei no canal "Cultura Metal", onde um dos convidados citou o trabalho do Slaves of Time. Aí entrei em contato com a banda doABC paulista e adquiri o debut.

Vale a pena dizer que os experientes Tony Cayres e Klaus Monteiro fizeram bem o dever de casa, com uma boa gravação (só poderia ter ficado mais sujo o som) e um mix de power/prog e pop, que fez a alegria de muitos nos anos 2000.

O álbum tem início com a faixa título, que é bem introspectiva, Stuck In My Life é mais pop, Abyss of The Ego é pesada e épica, No Conditions possui um ritmo quebrado com vozes limpas bem sacadas.

The World Has No Future é variada é climática, The Fury mescla AOR/melódico, After The End é dramática e emocional e Dark Streets é aquele momento feito pra agitar, graças a mescla interessante de gótico/hard rock.

The Love Gave to You é um dos ápices do álbum graças aos climas progressivos, graças ao equilíbrio de vozes masculinas/femininas. Cast Away retoma os climas mais viajantes e Last Breath encerra o track normal do CD de forma mais emocional.

O álbum possui dois bônus track, a maravilhosa The Time Will Come From Him é uma outra versão para Stuck In My Life.

Miserable Souls tem como grande trunfo a diversificação e a ousadia, que como eu disse no início da resenha, se tivesse um som mais sujo, os resultados seriam melhores, mas isso é apenas uma questão de ouvido. 

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Sculpture: To Another Place (2018/2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Iniciativas como essa da UBL (Union of Black Labels) merecem aplausos. Não apenas por divulgarem a música extrema do cenário underground, também por resgatar "tesouros perdidos", como o debut do Sculpture, lançado originalmente em 2018 pela Hammer of Damnation.

Porém, nem tudo foram flores. Nessas conversas informais de rolê, a informação é que chegou a nós foi que onde prensaram os cds, ao invés de fazerem determinado número, fizeram mais, o que comprometeu o resultado, onde assim como foi comigo, muitos perderam seus álbuns, então esse relançamento foi como dar um final feliz a essa história.

Conhecidos pelas atuações em bandas como Necromesis, Ophirae, Seventh Seal, Lost Graveyard, The Black Spade, entre outros, Victor Próspero e Willian Marante enveredam num mix de black metal, progressivo, com elementos mais densos até etéreos, fazendo uma música pesada, mas ao mesmo tempo viajante é encantadora de ouvir.

Turn The Pages of Times abre o disco de forma emocional, Through Infinite Horizons é veloz e repleta de virtuosismo, enquanto Voices of Unconsciever Revelations possui momentos complexos e progressivos. Fragments of Deep Reflections é aquele som perfeito que você NÃO IMAGINA VOZES, pois se existissem, tiraria a magia da canção.

A Journey to The Empty and Perennial Silence é repleta de atmosferas emocionais e Carbon Dissolution é o bônus dessa nova versão, que é obscura e introspectiva, encerrando esse excelente álbum, que por se tratar de um relançamento, estará na listinha de muita gente.

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terça-feira, 29 de setembro de 2026

WIDOWMAKER: STAND BY FOR PAIN (1994)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Após a estreia primorosa (musicalmente) em "Blood and Bullets", o quarteto Widowmaker reaparece com um novo trabalho. Curiosamente, apesar do nome, formação e time de produção terem sido mantidos, houve uma grande mudança no direcionamento musical, fazendo algo mais contemporâneo, onde soaram mais densos, pesados e selvagens.

Mais uma vez com uma ótima produção, que enalteceu peso e timbres, além de um projeto gráfico a altura, o cd (lançado via Hellion aqui) tem início com Killing Time, que é puro groove.  A seguinte, Long Gone (teve videoclipe rolando na época) é bem sombria, enquanto Protect and Serve beira o thrash em muitos instantes.

Ready to Fall possui riffs "panteristicos", Circles é bem emocional e a faixa título é bem curiosa, graças aos suas partes fusion, Just Business tem passagens industriais e The Iron Road é puro minimalismo.

Bad Rain é uma balada dramática, Your Sorrow  possui ótimos solos e Cry a Dying Man's Tears é outra balada e All Things Must Change é a saideira, que começa introspectiva e se transforma numa Hecatombe, tendo ótimos vocais e guitarras.

Apesar da estranheza inicial, "Stand By For Pain" e recheado de ótimos momentos. Uma pena que um ano depois a banda encerrou as atividades, mas deixou um legado de dois excelentes álbuns, um de hard rock e outro mais "modernoso".

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domingo, 27 de setembro de 2026

Widowmaker: Blood and Bullets (1992)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Após sua saída do Twisted Sister e as coisas não terem rolado como esperava no Desperado, o vocalista Dee Snider não se abateu, arregaçou as mangas e montou um super grupo hard rock chamado Widowmaker.

Contando com os igualmente talentosos Al Pirelli (guitarra, Savatage), o baixista Marc Russell e o baterista Joe Franco, parceiro do cantor em sua antiga banda, fizeram um disco pesado, coeso, com músicas vibrantes e ótimas baladas.

Ótima produção e projeto gráfico interessante (encarte que vira poster), o CD tem início com a vigorosa e potente Emaheevul, seguida da faixa que nomeia o quarteto, que é pesada, grudenta e refrão apoteótico. Evil possui momentos intrincados e passagens que lembram Extreme e Tyketto, só que mais pesado.

The Lonely Ones é um hit, cheia de partes para cantar junto, que conta com um dos solos mais legais do hard rock. Reason to Kill é uma balada pesada, Snot Noose Kid é incendiante, a faixa título é visceral e Gone Bad é um hard certeiro.

Blue For You é uma balada bluesy, You're a Heartbreaker possui uma energia incrível. As últimas faixas são Calling For You é aquela balada repleta de dramaticidade e a saideira vem com a arrasa quarteirão We Are The Dead.

Apesar de ser um discaço, vendeu apenas cerca de cinquenta mil cópias, pouco para os objetivos da banda. Mesmo assim a banda soltou dois anos depois "Stand By For Pain", que será a próxima resenha do blog.

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Papangu: Celestial (2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o terceiro e mais recente full dos caras, onde posso dizer que soa bem diferente dos anteriores, o que não é ruim. Gravado de forma analógica, "Celestial" já mostra na capa uma mudança, a ausência de tons escuros, um cenário mais etéreo e menos caótico, mais progressivo e menos metal e ainda sim, sendo Papangu.

Mau Olhado abre o disco com sintetizadores instigantes, vozes "limpas e tortas", tudo bem envolvente. Colosso mantém a vibe mais intimista, ao contrário de Taxidermia, que é bem densa e sombria, mesclando  Cynic e Ave Sangria. Bode Expiatório é experimental, fundindo jazz, MPB e rock progressivo de forma homogênea.

Celeste é aquele momento que jura ser um som obscuro lançado nos 70, Fechamento de Corpo é instigante e conta com momentos black/doom e ótimos solos. Calado de Olho é pura quebradeira prog, com momentos inusitados, sendo uma das melhores músicas da banda.

A reta final do álbum vem com a perturbadora Iamanaru, Afirmação é aquele som que você imagina que se existe uma música que nos recebe no céu, seria essa, graças aos climas fusion e vozes que lembram os grupos MP4/14 Bis. Outro encerra o álbum de forma instigante.

Acredito que esse trabalho é um divisor de águas para o grupo. Se por um lado estão menos metal, por outro fizeram sons que podem ser considerados os melhores da banda.

Vamos ver o que tempo nos aguarda, enquanto isso viaje não só em Celestial, mas nos álbuns anteriores.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Papangu: Holoceno (2021)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o debut de uma das bandas mais bacanas e criativas do Brasil, que praticam um mix "torto" diferenciado, que engloba diversos estilos como doom, stoner, sludge, MPB, rock progressivo e o que mais vier na mente. Outra vertente presente no disco é a música regional nordestina, que não chega a ser uma surpresa, afinal o grupo é dessa região, sendo mais preciso, João Pessoa (Paraíba).

Liricamente inspirado em pensadores como Ariano Suassuna, o álbum abre com Ave Bala, que é intimidadora e com muitos arranjos jazzisticos, Água Branca é nebulosa e introspectiva, enquanto São Francisco mescla momentos que vão do doom até a MPB, sem perder  a pegada mais lúgubre.

Bacia das Almas é viajante e climática, Terra Arrasada caminha pelos lados do black/doom, Lobisomem é cadenciada, instigante e o trabalho se encerra com a faixa título do álbum. Que se inicia bem etérea, cujo decorrer passeia pelo progressivo e climas caóticos irresistíveis.

A versão em cd que tenho em mãos, possui versões ao vivo das faixas Ave Bala, Água Branca e São Francisco que ficaram mais viajantes e progressivas,  mostrando uma outra faceta dos caras.

Além de ser do início ao fim, Holoceno comete a façanha de mexer com o ouvinte, graças aos climas e nuances variadas.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Witchhammer: Ode to Death (2006/2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Após três discos memoráveis, veio um hiato, que quando ouvimos "Ode to Death", percebe-se que o tempo só fez bem ao Witchhammer, pois conseguiram não apenas manter as qualidades apresentadas nos primeiros trabalhos, pois conseguiram trazer algo novo, deixando o trabalho marcante e perfeito para trues e novatos.

Essa versão avaliada é uma edição comemorativa de duas décadas do seu lançamento e o que posso dizer que tanto o áudio quanto o projeto gráfico ficaram memoráveis, tornando um item imperdível.

Oija Board abre o álbum com as "maluquices" a mostra. Quebradona, agressiva, trabalhada , com vozes iradas até guturais, além de contar com a participação de figurões como Vladimir Korg (The Mist). Me Dawn Lawless Killer é intrincada e instigante, Metaphysics é feita pro povo e Wrath of Witchhammer é pura raiva.

Dartherium é uma regravação do debut que ficou ainda mais brutal, Machine of War é viciante, Kill Us é viciante com ares de opera metal, Remains The Same é uma balada thrash, Dartherium III é energia pura e Witchery é sombria,  grudenta e pode ser considerada uma das melhores músicas escritas sobre a bandeira thrash metal.

Headbangers United possui paradinhas mortais, Weekend in Auschwitz é mortifera, World Generation possui grooves contagiantes e o álbum se encerra com Perseguição, cover do Sagrado Inferno, que coroa esse excelente álbum, que é obrigatório aos fãs de música pesada.

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Slaves of Time: Miserable Souls (2025)

Por João Messias Jr. Imagem: Divulgação   Conheci o duo de uma forma bem inusitada, por meio de uma live que participei no canal "Cultu...