quinta-feira, 5 de março de 2026

Lacuna Coil: Sleepless Empire (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

O Lacuna Coil é uma banda que até hoje eu não entendo porque eu simplesmente deixei de acompanhar. Claro, que durante esses anos vi que lançaram álbuns, vieram mais algumas vezes ao Brasil. Porém o fato é que nunca mais ouvi seus discos.

Da mesma forma que deixei de escutar, resolvi ouvir novamente. Primeiro adquiri "Delirium", de 2016 e recentemente o mais recente trabalho do grupo, "Sleepless Empire", lançado em 2025 por aqui via Urubuz Records.

Para aqueles que não conhecem os italianos, que beiram as três décadas de existência, começaram inseridos no gothic/doom. Com o tempo, inseriram novas referências como new metal, groove metal, pop, metalcore é com isso se consolidaram como uma das melhores bandas de rock/metal do planeta.

Contando com uma ótima produção e projeto gráfico de primeira, o álbum tem início com The Siege, que é pesada é cadenciada, Oxygen se destaca pelos guturais bem encaixados e Scarecrow lembra o clássico "Shallow Life", que pra mim è o melhor álbum da banda até hoje.

Gravity começa bem sacra, ganha elementos eletrônicos e um refrão melódico interessante, O Wish You Were Dead é pop e legal pacas , Hosting The Shadow é agressiva e conta com Randy Blythe (Lamb of God), In Nomine Patris mescla climas etéreos e a faixa título é bem hipnótica.

A trinca final do disco vem com Sleep Paralysys é caótica, In The Meantime é bem densa e conta com a cantora Ash Costello e Never Dawn encerra o álbum que é bem agressiva, além de ter um refrão poderoso. Um puta disco dessa galera que me faz questionar porque fiquei tanto tempo sem ouvi-los.

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terça-feira, 3 de março de 2026

Battle Beast: Steelbound (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

São mais de duas décadas de estrada, muitos shows e um crescimento gradativo com o lançamento de seus álbuns. Spellbound, sétimo disco de estúdio, não apenas aponta mais passos dessa escalada, como também aponta novos rumos.

Para quem não conhece o som dos finlandeses, eles praticam uma espécie de nova onda do power melódico, só que com timbres mais modernos e uma (agora ex) vocalista que realmente faz o lance acontecer: Noora Louhimo

Quem acompanha a frontwoman desde que integrou a banda, percebe a evolução não só do grupo, mas dá extensão de sua voz, que em alguns momentos lembrava a Doro Pesch e com o tempo deixou a referência de lado, imprimindo um vozeirão poderoso, melódico e agressivo nos momentos certos.

Com uma uma ótima produção e trabalho gráfico de primeira, Steelbound tem início com The Burning Within, dona de riffs pesadíssimos e um refrão pop sensacional. Já Here We Are os teclados são mais na cara,  enquanto a faixa título do cd é aquele som envolvente, feito pra dançar, totalmente pop, super bonder, com um refrão apoteótico.

Twilight Cabaret vem com referências da música latina, caribenha e fusion, num mix sensacional. Last Goodbye é bombástica, The Long Road é um interlúdio épico. Blood of Herpes mantém a vibe épica com sutis toques folk. Angel of Midnight é outro momento dançante do disco, totalmente AOR, com a atmosfera dos anos 80.

Riders of The Storm mescla o folk com teclados dançantes e Watch The Sky Fall é a saideira do disquinho, com riffs na cara e vozes pra lá de grudentas, coroando esse disco vencedor.

Embora não apresente nada de novo, Steelbound é tocado de forma envolvente, em especial a atuação de Noora Louhimo, que deixou a banda em dezembro/2025 para focar em sua carreira solo. Os remanescentes já anunciaram a igualmente talentosa Marina La Torraca (Exit Eden, Phantom Elite, Avantasia), o que nos anima para a nova era de ambos os lados.

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domingo, 1 de março de 2026

Baby Animals: Baby Animals (1991)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Formada em 1989, na Austrália, tendo como figura central a vocalista/guitarrista Suze De Marchi, que apresentava um hard pop coeso e moderno, daqueles gostosos de ouvir. Com uma capa manjada e interessante (a moça na frente e a banda desfocada no fundo) e uma ótima produção a cargo de Mike Chapman (Suzi Quatro, Blondie), o álbum tem início com Rush You, que é um hard certeiro, Early Warning é bem grudenta, enquanto Painless tem um refrão bem sacado.

Make it End é mais introspectiva, Big Time Friends é influenciada pelo country e Working for The Enemy encerra o lado a do vinil num balanço equilibrado entre hard e pop. A outra metade do vinil abre com One Word, que é bem pop, Brake My Heart é uma balada interessante, Waste my Time mescla hard e funk, assim como One Too Many e Ain't Gonna Get encerra o álbum de forma vigorosa.

Um puta disco que agradará em cheio a galera que viveu a época e fãs de hard pop.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Hellbenders: Peyote (2016)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Assim como o Electric Sky, o Hellbenders é uma banda cheia de histórias legais. Hoje vamos falar de Peyote, segundo álbum dos goianos. Lançado em 2016, chama a atenção por ter sido concebido por meio de financiamento coletivo. Após essa etapa, foram gravar no Rancho de La Luna (Estados Unidos), cujo resultado é um álbum pesado, selvagem e repleto de densidade.

Outra coisa legal é a versão em vinil, formato gatefold, bonito pra caramba, disco na cor roxo e contou com a distribuição da Heart Bleeds Blue, selo que apesar de ter encerrado as atividades, foi de suma importância no cenário rock nacional.

Para quem não conhece o quarteto, eles tocam um stoner alternativo, que bebe em fontes como Black Sabbath, Life of Agony, Sonic Youth, Kyuss e Queens of The Stone Age e já mostra as credenciais em Bloodshed Around, com seus riffs densos e vozes hipnotizantes, Memorize It é bem visceral, enquanto The Hunter é quebradona e com "cheiro" da década de 1990.

Possibilities Among Desire encerra de maneira caótica o primeiro lado do LP. A outra metade da bolacha tem início com Where I Hide de forma pesada e macabra. The Sea possui climas psicodélicos, Bigger Inside Out é angustiante e provocadora e New Jam (dona de um videoclipe bacana), começa introspectiva, ganha climas a lá Sonic Youth, com um final visceral, que encerra esse disco fantástico.

Para curiosidade, Peyote é um cacto sem espinhos com propriedades psicoativas....
 
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Electric Sky: Electric Sky (2022)

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O Electric Sky é uma banda com passado, presente e futuro, pois é formada por atualmente 4/5 da formação que gravou um dos discos mais emblemáticos do thrash nacional. Falo de "Disturbing The Noise", terceiro álbum dos thrashers do Attomica. Fato que nem tudo dura para sempre, então o tempo passou e essa rapaziada uniu forças e montou esse novo grupo, que em 2022 lançou seu primeiro full.

Mantendo o peso e a coesão dos antigos tempos, agora a nova empreitada faz um mix interessante de hard/heavy/stoner, que contagia de primeira, que agradará em cheio os fãs dos anos 80. Contando com uma produção contemporânea (ótimos timbres), o trabalho começa com Altered States, que tem riffs arrastados e ritmo contagiante. The Vessel é visceral e Dig Down Deep cola na mente.

Nightmare tem toques southern, Electric Skies é cadenciada é pesadona, Human Grinder lembra bastante o grunge, Stand Up possui um puta refrão e Life Ain't Easy se destaca pelas vozes, que lembram Ray Gillen (Badlands) e Andria Busic (Dr. Sin).

Vale lembrar que esse álbum saiu em vinil pelo selo "Amigos do Vinil" e em 2024 lançaram o single Colors, que mostra que vem coisa muito boa pela frente.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Open The Coffin: Once Alive Always Dead (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Falar do Open The Coffin é reverenciar um dos pilares do underground nordestino: Claudio Slayer. Músico atuante no cenário a mais de três décadas, por ter atuado ou ainda na batalha em formações como Agoniza, Insane Death, Deuszebul, Expose Your Hate, Son of a Witch, entre tantos outros e que desde 2018, tem a sua "empreitada solo" com o Open The Coffin.

Desde então foram um EP e dois fulls, sendo que a mais recente obra "Once Alive Always Dead", lançado em 2025 via Black Hole Productions. Para quem não conhece o grupo, ele bebe na fonte do death metal praticado nas décadas de 1980/1990: cru, cavernoso é extremamente maléfico, com um tempero europeu, onde as inspirações em formações como Sinister, Entombed e Dismember são mais que evidentes.

Que dão um molho especial a obra, que tem uma ótima produção e excelente projeto gráfico, apresenta músicas bem executadas, com quatro minutos de duração, começa com Burn my Coffin, que possui uma rifferama infernal. Tomb Number 666 é impiedosa, a faixa título é perfeita para bangear.

Carnivorous Abomination é crua e visceral, Embraced by The Grave possui riffs na cara e vozes moribundos. Decaying Flesh é um rolo compressor, Zombified (dona de um vídeo clipe bem legal), possui inspiração no thrash e andamentos que colam na mente.

O álbum se encerra com Tudo Pertence a Morte, uma cacetada que alterna momentos extremos a outros de puro respiro, onde a única certeza que temos é que após o som, um Dorflex será mais que necessário.

Mais uma evidência que o cenário brasileiro, seja em qual frente for, é o melhor do planeta.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Old Gravers: From The Dephts of The Grave (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

O Old Gravers é uma banda gaúcha que, se contarmos com os tempos do antigo nome (Old Grave), são dez anos de estrada. Com o nome atual já são dois lançamentos, uma demo e o debut "From the Dephts of The Grave", que é mais um lançamento da UBL (Union of Black Labels), selo que com toda a certeza dará o suporte para que o grupo dos pampas eleve o nome no cenário.

Praticantes de um death metal que tem como referência as décadas de 1980/1990, que se destaca pelas passagens cadenciadas, vozes cavernosas e aquele sentimento "de fã para fãs".

Com uma boa produção e um projeto gráfico honesto, o que nos resta é ouvir as canções. Holy Men Feed The Flames chama a atenção pelo bom trabalho de guitarras e ritmo arrastado, como todo fã do "metal da morte" curte. Symbol of Fools é ríspida e crua, Old Grave é mórbida e Parasite Christianity mescla rock and roll com um groove matador.

Espíritos Impuros é fúnebre, Beyond the Big Iron Gate tem momentos hipnotizantes, Nocturnal busca inspiração no thrash e Death Empire chama a atenção pelas linhas inspiradas de bateria e guitarra. 

O álbum de encerra com Don't Need Religion, que é um cover do Motörhead, que uniu o melhor dos dois mundos: ficou a cara da banda, sem descaracterizar a original.

Um puta disco, sem invencionices, com quatro caras apenas querendo fazer metal, sem frescuras.

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Lacuna Coil: Sleepless Empire (2025)

Por João Messias Jr. Imagem: Divulgação  O Lacuna Coil é uma banda que até hoje eu não entendo porque eu simplesmente deixei de acompanhar....