domingo, 25 de outubro de 2026

SUGAR KANE: SESC GUARULHOS (24/10/2026)

Texto e fotos: João Messias Jr.

As vezes são positivas as "invertidas" que a vida nos dá. Indo para o show deste último sábado (24), me veio essa reflexão, pois nunca imaginei nesses trinta e quatro anos de "janela rock/metal", jamais imaginei cobrir uma apresentação do Sugar Kane em Guarulhos.

Depois de três anos sem ir a um espetáculo, quando fiquei sabendo da apresentação dos curitibanos radicados em São Paulo, entrei em contato com o Sesc daqui de como era o trâmite para o credenciamento. Para quem nunca esteve num Sesc, é uma experiência fantástica para eventos, pois conta com um som alto e nítido e o mais importante quando você fica mais velho: horário para início e fim.

Chegando ao local do rolê, duas coisas me chamaram a atenção: o tamanho do local e diversificação do público: desde a galera com a camisa da banda, o povo de "roupa normal" e famílias com seus filhos.

Para quem não conhece o Sugar Kane, é uma banda com vinte e nove anos de estrada, álbuns de estúdio, sendo o mais recente o ótimo "Antes Que O Amor Vá Embora", de 2024 e atualmente promove os vinte e cinco anos do disco "Por Nossa Paz" (2001), com uma agenda de shows que até o final do ano passará por Goiânia, Curitiba, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Previsto para início as 20 horas, o show teve início oito minutos depois com Alexandre Capilé (vocal/guitarra), Vini Zampieri (guitarra), Carlos Fermentão (baixo) e André Dea (bateria), entraram detonando sons do álbum que chegou ao Jubileu de Prata. Medo, Contra Todos e Agora eu Penso (com partes ska sensacionais foram a certeza de uma noite linda.

Apesar de ser uma tour comemorativa, achei válido o fato de incluírem sons de outros trabalhos, como Velocidade, do ótimo "Continuidade da Máquina", (primeiro álbum que adquiri dos caras). Parágrafos acima disse que eles lançaram um álbum novo e dele desfilaram sons como Lembro Bem, Todos os Dias e Dormi no Chão, evidenciando que os caras continuam produzindo coisa boa.

Após as ovacionadas (vale dizer que não houve  momento meia boca) Janeiro Mudaremos, e Me Faça Entender, o que tivemos foi uma espécie de "momento coletânea" com músicas dos álbuns "Ignorância Pluralistica" (Paciência pra Burrice), "Novidade Média" (A Casa), "D.E.M.O." (Divinorum) e "Elementar" (Será Viver), mostrando as diversas facetas dos caras.

Depois da bem metal "Todo Mundo Metal", chegamos ao que seria o encerramento com Despedida e A Máquina de "Continuidade da Máquina", com o Sugar Kane sendo aplaudido por todos presentes.

Ainda teve tempo pro bis e aí sim após oitenta minutos, chegava ao fim a apresentação do quarteto, que depois ainda tirou fotos com e autografou materiais.

Confesso que foi uma noite maravilhosa onde olhando pra trás, agradeço as invertidas que a vida deu nesse aspecto.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

RUÍNA: RUÍNA (2006)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Foram poucos anos de estrada (ativos de 2003 a 2007) e respirando por aparelhos até 2009, alguns shows, porém o Ruína foi uma banda que não apenas deixou um legado, mas que pavimentou um tipo de som que se tornaria gigante anos depois: o post metal.

Alguns os denominavam como uma banda de crust/punk, só que o quarteto oferecia muito mais: uma música caótica, recheada de ambiências, além de referências de grupos como Joy Division e Neurosis.

Com uma ótima produção a cargo de Bernardo Pacheco e mixado/masterizado por Fernando Sanches, o CD tem início com Lustrum, que é cadenciada e hipnótica, Le Temps, Le Sang soa fúnebre com toques minimalistas e Olhos Vendados é uma espécie de punk/industrial, com ótimos riffs.

Sans Retour é introspectiva, Mais Uma Vez tem cheiro de palco, Instrumental I soa desesperadora, Noye Dams L'Amer mostra um show das seis cordas, nos momentos mais limpos e agressivos. Le Noir, Le Espoir soa lenta e moribunda e Instrumental II parece um tributo ao alternativo da década de 1990, em especial bandas como Pixies e Sonic Youth.

Ruanda é a saideira do álbum, tendo riffs viscerais, momentos crust e muitas mudanças de ritmo, encerrando o disco de forma sensacional.

Creio que Ruína (o álbum) não tenha sido entendido logo de cara, acredito até que um relançamento seria interessante, pois hoje temos digamos, muito mais pessoas preparadas para assimilar a proposta sonora do quarteto.

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domingo, 18 de outubro de 2026

TRINCA DE EP'S: ATTERO/MORTO/CASCAVEL

Por João Messias Jr.
Imagens: Divulgação 

Mexendo no acervo para selecionar as pautas para o canal/blog, percebi que tinha alguns EP'S para resenha e resolvi na data de hoje comentar esses três disquinhos em uma única postagem.

Estilos bem diferentes entre si, mas que cada uma no seu ritmo, com um potencial gigantesco para alçar novos vôos.

A primeira dessa leva é o quinteto mineiro de crossover Attero. Tendo na formação músicos que figuraram em bandas como Uganga, Krow e Cirrhosis, chamam a atenção pela excelente gravação e coesão musical. Com quatro faixas, o massacre tem início com Ego, que é pesadíssima, backings marcantes e guitarras com um pé no death metal. Barrabás é perfeita pro mosh, Lado A Lado é mortífera e o trabalho se encerra com a faixa título, Sobrevida, que possui um levada mais thrash e pique hecatômbico.

Puta banda, mas creio que não estão mais na ativa, pois nas redes sociais não há nada de novo desde 2023.
Dando sequência, saindo dos caminhos das fusões de hardcore e thrash, vamos para uma grata surpresa, que é o epic metal do Morto, que não verdade é uma one man band lá da Bahia, cujo material avaliado é a demo "A Maravilhosa Tragédia da Vida", de 2023, que para um trabalho nesse formato, está com uma boa qualidade de áudio.

Com cinco faixas, temos início com a faixa título, que é uma intro melancólica, abrindo caminho para A Balsa da Medusa, que conta com ótimos riffs, vocais bem encaixados na proposta e solos inspirados nos anos 80. Já Navegando nas Águas da Morte apresenta riffs hipnotizantes e um clima épico. Amon-ra é ritualística e o encerramento vem com um cover correto para Solitude do Candlemass.

Temos aqui ótimas ideias que geram curiosidade de como será um full do Morto.

Encerrando essa trinca de mini álbuns, vamos falar dos paulistas do Cascavel. Com uma galera que já atuou por bandas como Devastação Sob Terror, Dying Star e Head Krusher, lançaram em 2024 o EP The Myth of The Bloodthirsty Lioness, que apresenta um death metal coeso, trabalhado é visceral.

The Egregory of The Dark Ages faixa de abertura mostra uma ótima gravação é veloz e aponta uma marca registrada no trio, a divisão das vozes: uma gutural e outra berrada. A faixa título é densa e desesperadora e The Cult of The Ancient Spirit possui diversas mudanças de ritmo e soa perfeita para os palcos.

A banda passou por algumas mudanças na formação, com Cristiano "Magnus Hellbound" (ex-Spiritual Hate) no baixo, mas infelizmente vi pelas redes sociais que a banda encerrou as atividades. Foi bom enquanto durou.

Enfim, um pequeno recorte do que acontece em cada canto do país.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sugar Kane: Antes Que o Amor Vá Embora (2024/2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
 

Com vinte e nove anos de estrada (alguns hiatos pelo caminho), o quarteto de Curitiba lançou em 2024 seu nono álbum de estúdio "Antes Que O Amor Vá Embora", cuja versão física ganhou a luz do dia dois anos depois via Läjä Records.

Antes de conversarmos sobre as canções, vale a pena dizer que o material tem um ótimo acabamento gráfico, uma produção que privilegiou como a banda é ao vivo (a cargo de Rafael Ramos junto com a banda) e mostra que os caras tem muita lenha pra queimar.

A mescla de hardcore melódico e poppy punk continua intacta, porém hoje os caras tocam melhor e isso da margem para que novos elementos sejam inseridos e é isso que faz desse disquinho algo especial. 

Agora abre o disco colocando todo mundo pra agitar e conta com as narrações de Jup do Morro. Acostumar é pura nostalgia, Lembro Bem é grudenta, Vai é puro hardcore com linhas vocais não usuais e Dormi no Chão pode ser considerado um dos hinos do álbum. Esse som ainda conta com a participação de Badaui (CPM22).

Original mescla peso e experimentalismos, Todos os Dias é curta e grossa, Pra Sempre tem uma letra juvenil que nos faz vir a mente nossas primeiras paixões, Puro Avesso, dona de um clipe bem legal é um som de impacto e Óleo na Pista é mais reta, rock and roll, que mantém o nível alto do trabalho.

Eu Acredito é puro alto astral e o cd se encerra com Estávamos Certos. Variada, possui momentos que vão de Beatles ao ska, terminando de forma visceral.

Olha, posso não ser um expert do estilo, mas entendo o suficiente pra entender que Antes Que O Amor Vá Embora mostra coesão, maturidade é uma energia que nos faz crer que o Sugar Kane tem muita lenha para queimar.

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domingo, 11 de outubro de 2026

Shitai: Shitai (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Uma banda nova formada por veteranos do cenário e cuja junção é algo mortífero, agressivo e que é destruídor ao vivo. Esse é o feedback que tive ao ouvir o primeiro EP desse quarteto de Guarulhos, lançado em 2025

Composta por figurões que transitam ou transitaram por bandas como Gestos Grosseiros, Insanitah, Subser, Anarkhon, Power From Hell e Screams of Hate, que pelo curriculum dos caras, se trata de algo realmente hecatombico, um mix de thrash, death e hardcore, que está embalado num simples e bonito digifile e uma ótima gravação.

Unindo faixas de estúdio e ao vivo, o trabalho tem início com Nascer, Crescer, Morrer, que apresenta riffs viciantes, vocais "gravões", ambiências e ótimos solos. Memento Mori é avassaladora e cheia de groove, Fome Terror mescla guitarras slayerizadas e um clima industrial perturbador.

Rigidez Cadavérica se destaca pelo ótimo trampo das seis cordas, Agressão Brutal, que é o primeiro bônus do cd, é um quebra pescoço curto e grosso.

As seguintes são bônus ao vivo. Assassino em série mistura agressividade com partes mais cadenciadas e a saideira vem com Dissecado, que é bem encorpada e climas de pura violência.

Não há mais o que dizer, apenas engrossar o coro de que venha o primeiro full.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Bellicus Daemoniacus : Ápices do Proibido (2026)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o terceiro trabalho de trio carioca, que executa um black metal mais primitivo, que recebe alguns momentos atmosféricos, que cantado em português, soa ainda mais assustador. O material contém uma bela capa, encarte simples e interessante, além de contar com uma gravação que deixou tudo mais "sujo".

O álbum, que tem cerca de trinta minutos, abre com Tempos Tenebrosos que é gélida, seguida de Os Ímpios Iconoclastas é mais sombria e com um ótimo solo. Meu Nome é Legião tem algo interessante que mostra uma das facetas da banda, que é mesclar tendências. Aqui temos linhas viscerais a outros sacras.

Em Negro Estado de Espírito tem vozes limpas como se estivessem declamando um poema, A Solitária Tormenta tem cheiro de palco, Nitmur In Vetitum é introspectiva e cadenciada com ares de invocação, Ode a Luz Ferreira intercala vociferações agressivas a outras em reza e Dei Negativo encerra o disco de forma agonizante.

Um trabalho interessante que irá agradar os fãs das vertentes mais cruas do estilo. Mas vale dizer que o nível técnico da turma é muito bom.

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domingo, 4 de outubro de 2026

Slaves of Time: Miserable Souls (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Conheci o duo de uma forma bem inusitada, por meio de uma live que participei no canal "Cultura Metal", onde um dos convidados citou o trabalho do Slaves of Time. Aí entrei em contato com a banda doABC paulista e adquiri o debut.

Vale a pena dizer que os experientes Tony Cayres e Klaus Monteiro fizeram bem o dever de casa, com uma boa gravação (só poderia ter ficado mais sujo o som) e um mix de power/prog e pop, que fez a alegria de muitos nos anos 2000.

O álbum tem início com a faixa título, que é bem introspectiva, Stuck In My Life é mais pop, Abyss of The Ego é pesada e épica, No Conditions possui um ritmo quebrado com vozes limpas bem sacadas.

The World Has No Future é variada é climática, The Fury mescla AOR/melódico, After The End é dramática e emocional e Dark Streets é aquele momento feito pra agitar, graças a mescla interessante de gótico/hard rock.

The Love Gave to You é um dos ápices do álbum graças aos climas progressivos, graças ao equilíbrio de vozes masculinas/femininas. Cast Away retoma os climas mais viajantes e Last Breath encerra o track normal do CD de forma mais emocional.

O álbum possui dois bônus track, a maravilhosa The Time Will Come From Him é uma outra versão para Stuck In My Life.

Miserable Souls tem como grande trunfo a diversificação e a ousadia, que como eu disse no início da resenha, se tivesse um som mais sujo, os resultados seriam melhores, mas isso é apenas uma questão de ouvido. 

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SUGAR KANE: SESC GUARULHOS (24/10/2026)

Texto e fotos: João Messias Jr. As vezes são positivas as "invertidas" que a vida nos dá. Indo para o show deste último sábado (24...