quinta-feira, 5 de novembro de 2026

THE FORCE: NATIONS UNDER ATTACK (2011)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Acredito que o The Force (belíssimo nome) é a primeira banda do Paraguai que figura no canal. Na ativa desde 2007, o quarteto das terras do Chilavert pratica um thrash com muitas referências do metal tradicional. Mistura que se por um lado não apresenta nada de novo (e quem se importa?), empolga do início ao fim.

Os caras possuem três álbuns de estúdio, sendo que o nosso objeto de estudo será o segundo play, "Nations Under Attack", lançado em 2011, inclusive no Brasil via Kill Again Records.

Com uma boa gravação e projeto gráfico de primeira, o massacre tem início com The Barracks, onde a certeza é uma só: seu pescoço não será o mesmo por alguns dias. A faixa título tem momentos deliciosamente melódicos e trabalhados, enquanto Doomsday tem uma rifferama que conquistará a galera dos jeans colados e tênis Pony.
 
The Longest Day você sabe até a hora que entram os backings, além dos solos a la Iron Maiden Neckbreaking Metal encerra o primeiro lado do vinil mesclando peso e melodia com maestria. O outro lado do vinil começa com Nightlords, que chama a atenção por guitarras apocalípticas e os vocais mais "falados". Fight till The End conta com excelentes solos, mas o melhor fica para o final.

Stamped of a Thousand Stallions é o ápice do álbum. Recheada de referências da NWOBHM, se transforma num thrashão que só fez e faz bem na vida de caras com mais de quarenta anos como eu.

Nota dez, sem mais.

Link da resenha no YouTube:

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

GOTHIC VOX: SUPPLICAMENTUM (1991)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

O papo hoje é sobre thrash metal, sendo mais específico sobre um disco que passou batido pelo público headbanger e eu tentarei explicar os motivos desse "vácuo". Os principais motivos são até simples de serem explicados: não havia mais  tanto interesse pelo thrash metal e o som dos mineiros do Gothic Vox soava diferente das bandas de lá.

O quinteto lá das terra do pão de queijo praticou no seu álbum de estreia, "Supplicamentum", de 1991, embora tenha bebido na fonte de bandas como Metallica, Slayer, Megadeth, soa mais "mente aberta", cedendo espaço para novos elementos e experimentalismos sonoros.

Lapse é a faixa que abre o LP apostando em peso e groove, com climas apocalípticos, True Faith aposta em climas e vocalizações orientais, Grind of Tears é caótica e cheia de sarcasmo, enquanto One Day to Understand é repleta de andamentos quebrados.

One Night encerra o lado A do vinil recheada de desespero, Beyond Help é bem trabalhada, Search alterna momentos que vão do classic rock a surf música. Sometime mantém a vibe vanguardista e Make Believe tem energia contagiante.

O material de encerra com Maternity, que tem violinos, referências do metal tradicional, toques épicos e muito virtuosismo, mostrando que esse disco estava a frente de muita coisa na época, o que talvez tenha feito que os camisas pretas não assimilassem a alquimia musical presente aqui.

Link da resenha no YouTube: 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

LOST GRAVEYARD: FUNERAL HOLOCAUST (2014)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Sem margem de dúvida é possível dizer que o estilo que mais cresceu/evoluiu e se dividiu em ramificações foi o black metal. Desde as bandas que fazem um som mais "bonitinho" até às mais extremas, na verdade temos aqui no Brasil um dos mais vibrantes e produtivos cenários.

Esse crescimento e diversificação me fez acompanhar diversos selos, dentre eles a Hammer of Damnation (Black Metal Store), loja que tive a felicidade de visitar algumas sedes que a loja teve durante esses anos.

A resenha de hoje é sobre uma banda do cast, o Lost Graveyard. Fundada em 1999 é formada por uma rapaziada que figura ou fez parte de formações como Goat Prayers, Obscure Mind, Primordial Idol, Sculpture, lançaram dois splits até chegar no primeiro full.

Lançado em 2014, "Funeral Holocaust" aposta num som ríspido com partes trabalhadas, tendo uma gravação crua e um bom projeto gráfico. O CD abre com Prologue (Unleash The Hell) é uma intro caótica, a faixa título é bem oitentista, visceral e contornos épicos.

A Dawn of Battle soa perturbadora, In This Infinite Abyss é um interlúdio acústico, After Grave possui um clima fúnebre, enquanto AK 47 conta com mudanças de tempo bem sacadas e Transcendence The Fury of God é puro desespero graças aos vocais agonizantes.

A reta final do álbum vem com A Battlefield Tale que é uma grata surpresa, graças aos andamentos que passeia pelos anos 80 ao classic rock. Epilogue (Triumph) da números finais como uma trilha de passagem para outro plano.

Muito bem feito (com algumas arestas a serem aparadas), fico imaginando como estaria a música do grupo doze anos depois.

Link da resenha no YouTube:

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

ETERNAL DARKNESS DCLXVI: MASTER SATAN THE EMPEROR OF THE WORLD (2022)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Os paraenses do Eternal Darkness DCLXVI são bem conhecidos do público black metal. Se contarmos os tempos que se chamavam Master Satan, são trinta e três anos de estrada e o disco da resenha de hoje, embora seja um trabalho de 2022, sua história começa antes.

The Emperor of The World é na verdade a primeira demo de quando os caras atendiam pelo primeiro nome, só que com uma nova remasterização. 

Bebendo na fonte mais violenta do estilo, temos oito faixas em pouco mais de vinte e cinco minutos, que se iniciam em The Battle of Armageddon, uma intro que abre caminho para a faixa título, que é bem ríspida, assim como a seguinte, Vomit on The Imagem of Jesus Christ.

Bloodthirsty Werewolf é outra intro, Blood of Perverse Black Goat conta com interessantes linhas de baixo, Death to all Christmas é a mais longa do cd. Com quase seis minutos, intercala momentos velozes a outros (poucos) trabalhados.

A reta final vem com Lucifer's Victory and Jehovah's Fall é um interlúdio macabro e a saideira do álbum vem em Magnificent Kingdom of Satan é bem esmaga crânio.

Apesar da remasterização, a qualidade do áudio não é muito boa e algumas coisas soam bem primárias. Hoje a banda soa muito melhor e poderosa, principalmente seus registros mais recentes: os álbuns Worshippers of The Archangel Lucifer e The Serpente Jormungandr.

Link da resenha no YouTube:

domingo, 25 de outubro de 2026

SUGAR KANE: SESC GUARULHOS (24/10/2026)

Texto e fotos: João Messias Jr.

As vezes são positivas as "invertidas" que a vida nos dá. Indo para o show deste último sábado (24), me veio essa reflexão, pois nunca imaginei nesses trinta e quatro anos de "janela rock/metal", jamais imaginei cobrir uma apresentação do Sugar Kane em Guarulhos.

Depois de três anos sem ir a um espetáculo, quando fiquei sabendo da apresentação dos curitibanos radicados em São Paulo, entrei em contato com o Sesc daqui de como era o trâmite para o credenciamento. Para quem nunca esteve num Sesc, é uma experiência fantástica para eventos, pois conta com um som alto e nítido e o mais importante quando você fica mais velho: horário para início e fim.

Chegando ao local do rolê, duas coisas me chamaram a atenção: o tamanho do local e diversificação do público: desde a galera com a camisa da banda, o povo de "roupa normal" e famílias com seus filhos.

Para quem não conhece o Sugar Kane, é uma banda com vinte e nove anos de estrada, álbuns de estúdio, sendo o mais recente o ótimo "Antes Que O Amor Vá Embora", de 2024 e atualmente promove os vinte e cinco anos do disco "Por Nossa Paz" (2001), com uma agenda de shows que até o final do ano passará por Goiânia, Curitiba, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Previsto para início as 20 horas, o show teve início oito minutos depois com Alexandre Capilé (vocal/guitarra), Vini Zampieri (guitarra), Carlos Fermentão (baixo) e André Dea (bateria), entraram detonando sons do álbum que chegou ao Jubileu de Prata. Medo, Contra Todos e Agora eu Penso (com partes ska sensacionais foram a certeza de uma noite linda.

Apesar de ser uma tour comemorativa, achei válido o fato de incluírem sons de outros trabalhos, como Velocidade, do ótimo "Continuidade da Máquina", (primeiro álbum que adquiri dos caras). Parágrafos acima disse que eles lançaram um álbum novo e dele desfilaram sons como Lembro Bem, Todos os Dias e Dormi no Chão, evidenciando que os caras continuam produzindo coisa boa.

Após as ovacionadas (vale dizer que não houve  momento meia boca) Janeiro Mudaremos, e Me Faça Entender, o que tivemos foi uma espécie de "momento coletânea" com músicas dos álbuns "Ignorância Pluralistica" (Paciência pra Burrice), "Novidade Média" (A Casa), "D.E.M.O." (Divinorum) e "Elementar" (Será Viver), mostrando as diversas facetas dos caras.

Depois da bem metal "Todo Mundo Metal", chegamos ao que seria o encerramento com Despedida e A Máquina de "Continuidade da Máquina", com o Sugar Kane sendo aplaudido por todos presentes.

Ainda teve tempo pro bis e aí sim após oitenta minutos, chegava ao fim a apresentação do quarteto, que depois ainda tirou fotos com e autografou materiais.

Confesso que foi uma noite maravilhosa onde olhando pra trás, agradeço as invertidas que a vida deu nesse aspecto.

Link da resenha no YouTube:

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

RUÍNA: RUÍNA (2006)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Foram poucos anos de estrada (ativos de 2003 a 2007) e respirando por aparelhos até 2009, alguns shows, porém o Ruína foi uma banda que não apenas deixou um legado, mas que pavimentou um tipo de som que se tornaria gigante anos depois: o post metal.

Alguns os denominavam como uma banda de crust/punk, só que o quarteto oferecia muito mais: uma música caótica, recheada de ambiências, além de referências de grupos como Joy Division e Neurosis.

Com uma ótima produção a cargo de Bernardo Pacheco e mixado/masterizado por Fernando Sanches, o CD tem início com Lustrum, que é cadenciada e hipnótica, Le Temps, Le Sang soa fúnebre com toques minimalistas e Olhos Vendados é uma espécie de punk/industrial, com ótimos riffs.

Sans Retour é introspectiva, Mais Uma Vez tem cheiro de palco, Instrumental I soa desesperadora, Noye Dams L'Amer mostra um show das seis cordas, nos momentos mais limpos e agressivos. Le Noir, Le Espoir soa lenta e moribunda e Instrumental II parece um tributo ao alternativo da década de 1990, em especial bandas como Pixies e Sonic Youth.

Ruanda é a saideira do álbum, tendo riffs viscerais, momentos crust e muitas mudanças de ritmo, encerrando o disco de forma sensacional.

Creio que Ruína (o álbum) não tenha sido entendido logo de cara, acredito até que um relançamento seria interessante, pois hoje temos digamos, muito mais pessoas preparadas para assimilar a proposta sonora do quarteto.

Link da resenha no YouTube:

domingo, 18 de outubro de 2026

TRINCA DE EP'S: ATTERO/MORTO/CASCAVEL

Por João Messias Jr.
Imagens: Divulgação 

Mexendo no acervo para selecionar as pautas para o canal/blog, percebi que tinha alguns EP'S para resenha e resolvi na data de hoje comentar esses três disquinhos em uma única postagem.

Estilos bem diferentes entre si, mas que cada uma no seu ritmo, com um potencial gigantesco para alçar novos vôos.

A primeira dessa leva é o quinteto mineiro de crossover Attero. Tendo na formação músicos que figuraram em bandas como Uganga, Krow e Cirrhosis, chamam a atenção pela excelente gravação e coesão musical. Com quatro faixas, o massacre tem início com Ego, que é pesadíssima, backings marcantes e guitarras com um pé no death metal. Barrabás é perfeita pro mosh, Lado A Lado é mortífera e o trabalho se encerra com a faixa título, Sobrevida, que possui um levada mais thrash e pique hecatômbico.

Puta banda, mas creio que não estão mais na ativa, pois nas redes sociais não há nada de novo desde 2023.
Dando sequência, saindo dos caminhos das fusões de hardcore e thrash, vamos para uma grata surpresa, que é o epic metal do Morto, que não verdade é uma one man band lá da Bahia, cujo material avaliado é a demo "A Maravilhosa Tragédia da Vida", de 2023, que para um trabalho nesse formato, está com uma boa qualidade de áudio.

Com cinco faixas, temos início com a faixa título, que é uma intro melancólica, abrindo caminho para A Balsa da Medusa, que conta com ótimos riffs, vocais bem encaixados na proposta e solos inspirados nos anos 80. Já Navegando nas Águas da Morte apresenta riffs hipnotizantes e um clima épico. Amon-ra é ritualística e o encerramento vem com um cover correto para Solitude do Candlemass.

Temos aqui ótimas ideias que geram curiosidade de como será um full do Morto.

Encerrando essa trinca de mini álbuns, vamos falar dos paulistas do Cascavel. Com uma galera que já atuou por bandas como Devastação Sob Terror, Dying Star e Head Krusher, lançaram em 2024 o EP The Myth of The Bloodthirsty Lioness, que apresenta um death metal coeso, trabalhado é visceral.

The Egregory of The Dark Ages faixa de abertura mostra uma ótima gravação é veloz e aponta uma marca registrada no trio, a divisão das vozes: uma gutural e outra berrada. A faixa título é densa e desesperadora e The Cult of The Ancient Spirit possui diversas mudanças de ritmo e soa perfeita para os palcos.

A banda passou por algumas mudanças na formação, com Cristiano "Magnus Hellbound" (ex-Spiritual Hate) no baixo, mas infelizmente vi pelas redes sociais que a banda encerrou as atividades. Foi bom enquanto durou.

Enfim, um pequeno recorte do que acontece em cada canto do país.

Link da resenha no YouTube:

THE FORCE: NATIONS UNDER ATTACK (2011)

Por João Messias Jr. Imagem: Divulgação  Acredito que o The Force (belíssimo nome) é a primeira banda do Paraguai que figura no canal. Na at...