Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
Todo vídeo ou resenha escrita que produzo para os veículos, busca seguir o que deveria ser o jornalismo, que seria passar a mensagem com clareza ao receptor ou ouvinte. Confesso que esse processo sempre me deixa ansioso, ainda mais quando tecerei palavras e linhas de um grupo que considero um dos mais mortíferos do underground nacional: o Uganga.
Sempre tendo a frente o vocalista Manu Joker (ex-Sarcófago/Angel Butcher), a banda passou por uma profunda mudança de formação, o que talvez represente a intensidade presente em Ganeshu, que mostra todos os elementos do grupo, só que tudo potencializado vezes dez, mesclando metal, hardcore com uns temperinhos a mais.
Lançado originalmente em 2025, ganhou um ano depois sua versão física, tendo um digipack caprichado, encarte detalhado e uma das capas mais bonitas dos últimos tempos.
Guiado pelos quatro elementos, o álbum começa com a enigmática intro Igarapés. A Profecia vem metendo os pés no peito do ouvinte e Confesso apresenta muito Groove e um ritmo mais cadenciado.
Tem fogo é puro banging, Sonho é pesadona, Psicoraio Dub é um momento bem viajante do disco e Exú Não Passa Pano pode ser considerada o hit do disco, graças a suas guitarras viciantes e o refrão se impacto.
Dr. Ones é um interlúdio psicodélico, a faixa título é pura introspecção, graças aos seus climas etéreos, mesclando de forma perfeita dub, reggae e metal. Pressentimento é um bônus da versão física, que é uma espécie de "outro", um dueto mais hip hop de Manu e Isabela Melo, encerrando mais um puta disco dessa banda que não tem disco ruim.
Por ter menos de meia hora, "Ganeshu" é daqueles trabalhos que devem ser ouvidos infinitas vezes sem enjoar.
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