segunda-feira, 28 de abril de 2025

Girlie Hell: Till The End (2015)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Falar da Girlie Hell é falar daquelas injustiças que rolam no cenário musical. Não basta "apenas" compor boas músicas, um disco bem gravado, videoclipe, distribuição e shows grandes. Só que algumas coisas acontecem "além das 4 linhas".

Cometendo uma redundância, o quarteto fez tudo certinho na época, gravou com um ótimo produtor, Marcello Pompeu (Korzus), com o acabamento feito por Alan Douches (Madame Saatan) e fez grandes shows por alguns estados brasileiros.

Com uma sonoridade que mescla grunge, alternativo e stoner, o quarteto por meio do peso e climas densos, consegue envolver o ouvinte nas oito faixas desse puta disco, que merecia muito mais, diga-se de passagem.

O álbum começa com My Best, que possui um belo videoclipe, com riffs pesadissimos, dinâmica interessante e que ganha o ouvinte logo de cara. Gunpowder possui riffs sensacionais com ritmo denso e melancolia. Monsters possui muito groove e dissonantes que se aproximam do thrash, além de contar com a participação de Marcello Pompeu.

Learning to Say Goodbye é um dos ápices do álbum. Une momentos alternativos com momentos mais cadenciados que cativam. Sorrow possui quebras de ritmo interessantes. Winter possui uma pegada psicodélica e climas muito legais.

A faixa título é mais cadenciada e mescla hard/grunge, com um ótimo trabalho de guitarras, que alternam parte limpas a outras mais viajantes, com excelentes dobras de voz, encerrando esse belíssimo trabalho.

Merecia mais? Muito mais, inclusive a chance das meninas viverem exclusivamente, pois ao escutar Till The End, percebe-se que tudo foi bem pensado, feito com o coração e alma.

Link da resenha no YouTube:.


sexta-feira, 25 de abril de 2025

Poison: Native Tongue (1993)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Muitos fãs odiaram essa fase do Poison na época, em especial graças as mudanças musicais adotadas pelo quarteto. Lançado em 1993, a banda apresentava ao mundo o então jovem guitarrista Richie Kotzen, com um som mais denso, emocional e pesado, se comparado aos álbuns anteriores.

Quem acompanhou a época do lançamento, sacou de cara o visual mais "dark" adotado, em especial no clipe Stand, onde se notam duas coisas: o estilo mais bluesy de Kotzen e a evolução musical dos outros caras, além de um som sensacional. A bateria de Rikki Rocket é digna de um Lars Ulrich (Metallica) e Tommy Lee (Mötley Crüe).

O álbum tem início com a faixa título, que é uma intro tribal, que abre caminho para The Scream, que começa bem fusion, que ganha contornos hard e blues. Stand é pura viagem soul/gospel, enquanto Stay Alive é recheada de momentos para cantar junto.

Until You Suffer Some (Fire & Ice) é uma balada intimista. Em Body Talk a guitarra de Kotzen só falta falar e Bring It Home é um dos sons mais pesados da banda, além de um dueto bluesy de arrepiar. 7 Days Over You é aquele som que só transmite bem estar.

Richie's Acoustic Thing é um malabarismo do guitarrista (legal pacas). Ain't That The Truth possui jogos vocais impressionantes. Theatre of the Soul é "apenas" uma das baladas mais bonitas da carreira da banda. Strike of the Band é aquele momento que tira todo mundo do chão.

A reta final do disco tem Ride Child Ride é mais um momento irresistível do disco. Blind Faith possui um refrão daqueles e a saideira Bastard Son of Thousand Blues, como o título sugere, é bluesy é super alto astral, com uns pianos bem sacados.

Clássico, definitivo, que não seria possível se não tivesse existido o álbum anterior, Flesh & Blood, que será o assunto da próxima resenha.

Link da resenha no YouTube:


SIOD: esSIODio (2016)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 


Muitas vezes não nos damos conta de como somos afortunados com as oportunidades que a vida nos dá. De poder depois de velhos, atuar no cenário do rock e "manter a chama acesa".  Esse é o primeiro e até então o único registro dessa banda de Avaré (SP), que brinda o ouvinte com uma interessante, direta e lisérgica fusão de thrash, hardcore, stoner e sludge. Lançado em 2016, o álbum conta com um projeto gráfico bonito em digipack, além de uma ótima qualidade de áudio.

Composto de oito faixas, o cd começa com Maldade, com riffs pesados, com muito groove e jeitão de Hendrix. Traumatismo Moral é bem "sabazona" e as linhas vocais discursadas se destacam. A faixa título é pesadíssima e cadenciada, metendo os pés em nosso peito.

Paranóia chama a atenção pelos riffs contagiantes e Buraco da Fé é bem chapante. Coragem Amigo é bem virtuosa, mostrando o nível musical dos envolvidos. Não Tira Não possui um refrão que muitos lembrarão do Crowbar. Cercado de Vermes é um rolo compressor que encerra este ótimo trabalho.

esSIODio pelo direcionamento musical adotado e pelo cuidado das canções é daqueles trabalhos que merecia uma atenção bem maior. Mas lembra do tempo que disse no primeiro parágrafo ?

Pois bem, vi nas redes sociais que a banda está preparando um novo material. Vamos aguardar os próximos passos.

Link da resenha no YouTube:

domingo, 13 de abril de 2025

Anhaguama: Fórmula of Zos Vel Thanatos (2022)

Por João Messias Jr. 
Imagem: Divulgação 

A história é longa e tentarei resumir aqui. Conheci o som dos caras no fim dos anos 2000, quando li em alguma publicação que a banda estava lançando o EP "In Alliance With Fallen Angels", que apresentava um black/death cru e bem executado. Receita que ajudou a propagar o nome da banda no segmento da música extrema.

O que seria teoricamente a propagação do nome do Anhaguama (Futuro Demônio em Tupi), acabou gerando um longo hiato, que teve fim em 2022 com um novo trabalho, "Fórmula of Zos Vel Thanatos. O material apresenta uma ótima qualidade de áudio e vem com encarte e projeto gráfico impecável, o que também pode captar fãs de material físico.

Musicalmente a banda não se afastou da sua linha musical, apenas está melhor executada, como escutamos em Ra-Hoor-Khuit, que possui ótimos arranjos e momentos que beiram o doom. Nox é dona de arranjos tétricos e passagens empolgantes. Já a faixa título é visceral e impiedosa, mesclando as duas primeiras ondas do black metal.

Aeon of Horns é dona de vozes cavernosas e momentos mais cadenciados e Necromancy & Magick of Hécate (grafada dessa forma mesmo) é veloz e com jeitão para ser levada ao vivo.

Ótimo retorno da banda que teve uma decisão sabia em incluir no cd o trabalho anterior, o que proporciona o ouvinte a sacar a fidelidade da banda e que é possível evoluir sem abandonar as raízes.

Link da resenha no YouTube: 

https://youtu.be/kukRgoMWP3I

Seria Só "Mais Uma Vez" na Galeria...

Por João Messias Jr.
Fotos: Cláudio Tiberius

Como o título diz: "Seria Só Mais Uma Vez na Galeria", lugar que conheço desde a decada de 1990, que desses período, verm apenas flashes na memória, flashes mágicos, dentre eles, um show do Okotô, da saudosa Cherry, lá no Anhangabaú.

De lá para cá, muitas coisas mudaram, estive lá incontáveis vezes, onde boa parte delas foram como o título dessas reflexão, pois do templo ideológico que era essa estrutura de concreto e ferro, pouco se tem. Sem criticar, pois afinal, os negócios são assim, hoje o que temos é um shopping destinado a comunidade rock.

Só que o dia 5/4/2025 botou um fio de esperança aos mais puristas, onde me incluo, cuja data não foi apenas "business", mas uma hora destinada a troca de ideias e experiências. A princípio seria um encontro com os amigos das antigas, Fernando Cabral e Cláudio Tiberius com o novo amigo, Gustavo Grando (Fohatt) lá na Mutilation Records, loja que graças ao Tulula, representa muito bem o metal extremo no Brasil.

Porém o rolê acabou trazendo mais um novo amigo, Reinaldo Hilário (Bleak Serenity), projeto que o Gustavo empresta as vozes. Sabe o que foi legal? Ver um monte de tiozão debatendo sobre diversos temas, (até o Tulula bateu um papo durante a prosa). Houve um momento em que falei ao Reinado sobre a minha "birra" com o post metal anos atrás, em especial com a ausência de visual das mesmas (hoje não ostento nenhum) e que bandas como Lōtico e Denial Of Light me calaram a boca.

Outros assuntos foram a forma como "perdemos tempo nas redes sociais", mas o ápice (e mais produtivo deste encontro) foi o fato de todos ali, com mais de quarenta anos, estávamos cada um a sua forma, fazendo como na adolescência: propagar a música que tanto amamos.

Após as despedidas, já com o celular descarregado e aguardando o ônibus para ir ao trabalho, me fez refletir como momentos como esses devem ser vividos como se fossem os últimos. Talvez os caras das fotos não se encontrem nunca mais pessoalmente e que cada saída ou encontro não devem ser feitos no automático. Desde a ida na padaria até um encontro com os amigos.

Link do vídeo no YouTube: 

Publicações: Homicidal Maniac

Por João Messias Jr. Imagem: Arquivo Pessoal Falar de publicações impressas é como voltar no tempo, relembrar dos meus primeiros dias do met...