Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
Para aqueles que não sacaram, o Uganga é a empreitada do vocalista Manu Henriques, um dos figurões do metal mineiro. Afinal, o cara gravou um dos discos mais emblemáticos do metal mineiro, "Rotting", do Sarcófago, além de ter figurado no Angel Butcher e outras empreitadas.
Inicialmente chamada Ganga Zumba, logo tomou o nome atual, que representou uma virada de chave na carreira do músico. Ao invés de manter a pegada dos 80/90 que o fez reconhecido, preferiu a renovação, fazendo um mix de rap/rock, com alguns temperos a mais, que fará os radicais saírem voando.
A estranheza é de saltar os olhos, ainda mais que ao ouvir o álbum, que é bem produzido, mas principalmente quem é do metal, vai sentir falta da guitarra mais na cara, pois aqui em "Atitude Lotus", apesar de boas ideias aqui e ali, ela é mais coadjuvante do que protagonista.
O álbum tem início Língua nos Dentes, que mistura rap e rock, com guitarras cadenciadas e vozes discursadas. Sai Fora é bem introspectiva e Mar da Lembrança tem um pique mais dançante e muita ginga vocal.
Ug é um interlúdio, Prekol é mais agitada e com uma cara punk/hc. Não Ponha Tudo a Perder é a mais longa do disco. Com mais de sete minutos, temos referências bem fora da casinha, como Jorge Bem, ou Jorge Bem Jor para os mais novos. Ouro de Julho possui muito groove e guitarras inspiradas, enquanto Sibipiruna é mais um interlúdio com tempero da surf music.
Loco (Fim de Tarde) é um rap com cheiro de ganja e Bezerra da Silva. 2000 é Pouco começa bem psicodélica, passagens acústicas, com vozes limpas que ao fechar os olhos, vai jurar que é música solo do Frejat. Couro Cru é uma das mais agressivas do disco, dando pistas do que a banda faria no futuro.
A reta final do álbum vem com Aquática, que é bem inspirada em Zé Ramalho e Confluência une batidas dançantes, ginga Groove, momentos densos e cirurgicamente pesados, encerrando a estreia do grupo.
Apesar da estranheza inicial, se trata de um bom álbum, que agradará em cheio fãs de grupos como Beastie Boys, Planet Hemp e Racionais. Mas a verdade é que a música do Uganga hoje é muito, mas muito melhor.
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