quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Uganga: Atitude Lotus (2002)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Para aqueles que não sacaram, o Uganga é a empreitada do vocalista Manu Henriques, um dos figurões do metal mineiro. Afinal, o cara gravou um dos discos mais emblemáticos do metal mineiro, "Rotting", do Sarcófago, além de ter figurado no Angel Butcher e outras empreitadas.

Inicialmente chamada Ganga Zumba, logo tomou o nome atual, que representou uma virada de chave na carreira do músico. Ao invés de manter a pegada dos 80/90 que o fez reconhecido, preferiu a renovação, fazendo um mix de rap/rock, com alguns temperos a mais, que fará os radicais saírem voando.

A estranheza é de saltar os olhos, ainda mais que ao ouvir o álbum, que é bem produzido, mas principalmente quem é do metal, vai sentir falta da guitarra mais na cara, pois aqui em "Atitude Lotus", apesar de boas ideias aqui e ali, ela é mais coadjuvante do que protagonista.

O álbum tem início Língua nos Dentes, que mistura rap e rock, com guitarras cadenciadas e vozes discursadas. Sai Fora é bem introspectiva e Mar da Lembrança tem um pique mais dançante e muita ginga vocal.

Ug é um interlúdio, Prekol é mais agitada e com uma cara punk/hc. Não Ponha Tudo a Perder é a mais longa do disco. Com mais de sete minutos, temos referências bem fora da casinha, como Jorge Bem, ou Jorge Bem Jor para os mais novos. Ouro de Julho possui muito groove e guitarras inspiradas, enquanto Sibipiruna é mais um interlúdio com tempero da surf music.

Loco (Fim de Tarde) é um rap com cheiro de ganja e Bezerra da Silva. 2000 é Pouco começa bem psicodélica, passagens acústicas, com vozes limpas que ao fechar os olhos, vai jurar que é música solo do Frejat. Couro Cru é uma das mais agressivas do disco, dando pistas do que a banda faria no futuro.

A reta final do álbum vem com Aquática, que é bem inspirada em Zé Ramalho e Confluência une batidas dançantes, ginga Groove, momentos densos e cirurgicamente pesados, encerrando a estreia do grupo.

Apesar da estranheza inicial, se trata de um bom álbum, que agradará em cheio fãs de grupos como Beastie Boys, Planet Hemp e Racionais. Mas a verdade é que a música do Uganga hoje é muito, mas muito melhor.

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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Temblor: Thousand Hearts (2006)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Lembro que o Temblor foi uma banda que causou um "boom" na época, lá pelos idos dos anos 2000. Período em que estilos como o prog/melódico estavam em alta e o metal extremo buscava seu espaço. O quinteto, que tem como mente o vocalista Amauri Chamorro tinha uma música original, unindo timbres modernos, ritmo percussivo voraz, instrumentos latinos de sopro e técnica apurada. Receita que fez de "Thousand Hearts" um álbum poderoso e atemporal.

Com um digipack caprichado e uma excelente produção a cargo de Thiago Bianchi (Karma, Ready To Be Hated, Noturnall), só "resta ao ouvinte" pirar nas canções. Yo Vivo aponta percussões e um clima instigante. Lost Empires possui ótimas guitarras e um baixo "saltando" e Some Words começa quebradona e em seu decorrer fica mais densa é gostosa de ouvir.

Resume Reality retoma o peso, assim como Reflejo del Espelho. Pieces of Me te ganha pelo refrão de impacto e ótimas melodias. Fight é bem agressiva, em especial os vocais, enquanto a faixa título esbarra no pop.

A reta final do álbum vem com a faixa Temblor, mete os pés no peito do ouvinte e Todas Mis Nuellas possui uma levada latina, com camadas e vozes densas, encerrando essa ótima estreia do quinteto.

Passadas quase duas décadas, o disco soa muito bem, nada ficou defasado, mostrando que o mesmo sobreviveu ao teste do tempo. Mais legal que isso é saber que a banda está preparando material novo, sem previsão de lançamento por enquanto.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Fenrir: Condessa Sangrenta (2020)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o primeiro e até então único full dessa banda de Cerquilho (interior de SP), que neste ano completou duas décadas de caminhada. Para minha surpresa, foi gravado na Toca do Chico Preto, do meu amigo Victor Prospero (Ophirae, ex-Necromesis, Justabeli, Spiritual Hate, Seven7h Seal), que foi responsável pelas guitarras do disco.

Antes de falar das músicas, vale elogiar o projeto gráfico, que é um digipack com um slipcase, com uma capa diferente, tudo muito bonito e lançamento a cargo dos selos Death Voice Records e Voz da Morte Records.

Difícil rotular, mas o som do quinteto embora beba na fonte do black metal, absorve outras referencias, que dá uma cara mais própria ao som. E por consequência, torna-se impossível não curtir. Como na abertura do álbum, com Ares, Faz o Teu Chamado Para a Guerra

Revelações 666 é mórbida e cadenciada, A Última Batalha se destaca pelo banging e vozes desesperadoras. O Corvo Voa Por Vingança é instigante e ríspida. A faixa título começa bem acústica e se torna recheada de atmosferas, em oito minutos bem hipnotizantes. Esse som conta com a participação de Bestial Satanic Prophet (Bestymator).

Negra Alcatéia carrega o espírito oitentista e o track regular do álbum se encerra com A Valsa de Cachtice, que conta com a participação de Holykran, a mente de bandas como Iron Woods e Vetus Kran.

O que vem a seguir são três bônus, que são tributos na verdade. A primeira é Sobre o Rubro Estandarte de Leviaethan, que conta com a participação de Fernando Iser (Mavra, Herege), seguida de Rituais Profanos ao Reino Pagão (Mausoleum) e Alcatéia (Kaziklu Bei), também executada por Iser, que dá números finais a essa ótima estreia em full do quinteto.

Após um tempo inativa, a banda aos poucos está reaparecendo e isso deixa a galera que acompanha o grupo animada em relação aos próximos passos....

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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Lamentos: O Livro Proibido (2023)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Falar da Bahia, estado que teve o campeão brasileiro de 1988 e, revelou ao mundo bandas clássicas e memoráveis como Mystifier, Headhunter DC, Zona Abissal, Slavery, além de nomes que estão pavimentando muito bem seu caminho como Malefactor e Eternal Sacrifice é sempre um prazer.

E como toda pesquisa, toda vez que você se aprofunda, acaba conhecendo novos nomes. Como o Lamentos, duo baiano que em 2023 soltou um excelente trabalho, o sombrio "O Livro Proibido".

Bem gravado e com uma ótima capa, mostra ser uma formação que cairá em cheio no gosto dos fãs do Death/Doom, com algo sombrio e contemporâneo. Impressões que aparecem logo de cara em Preludio, que é bem etérea.

Entre a Vida e a Morte é fúnebre e arrastada, a faixa título tem partes instigantes e O Despertar possui passagens acústicas bem sacadas. Perdido em Pensamentos (ótimo nome) é perturbadora e arrastada. 

Espelho da Alma se destaca pelo uso dos teclados, Fantasma evidência o lado sombrio, enquanto 2020 (A Morte Está Entre Nós) começa bem sinfônica até ganhar momentos lúgubre, encerrando esse ótimo trabalho.

Musicalmente os caras são muito bons, sabem equilibrar as coisas. Só tem de ter um maior carinho no material gráfico. Apesar de conter todas as informações, o encarte deixou um pouco a desejar. Fora isso, é correr para o abraço.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Magüerbes: Rurais (2023/2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

São trinta e um anos ininterruptos na correria de shows e gravações. Apesar de sempre se mostrar uma banda de patamar acima das suas colegas, o quinteto viu a sorte mudar a partir de "Futuro", trabalho anterior lançado em 2015.

O disco citado (que conta com um dos mais lindos projetos gráficos no formato vinil) deu aquele "UP" na carreira do grupo, com a participação em grandes festivais como o Oxigênio.

Rurais apresenta uma banda mais pesada que no LP anterior, mas sem fugir da mescla de punk, hardcore, new metal e metalcore. Vibe que ouvimos logo na abertura com Capital. Coreto é aquele som que você dança instantaneamente. Pé Vermeio é um pouco mais cadenciada, enquanto Sem Gelo é aquele som que levanta até defunto.

O primeiro lado do vinil se encerra com Boia Fria, que deve ser perfeita nos shows. A segunda metade do álbum tem início com Melhor Dia faz uma conexão com o disco anterior. Saudade (um dos singles de divulgação do álbum) é repleta de intensidade. Já Bailão, que conta com a letra de Flávio Flock (Jason) é um pouco diferentona, com vozes "screams", Beats e guitarras sensacionais.

O encerramento do disco vem com Nós Por Nós. Dona de andamentos mais "tortos" e sombrios, com um clima mais industrial, que encerra mais um excelente trabalho da banda.

Assim como "Iririú" , de André Prando, "Rurais" estará na minha listinha de melhores lançamento de melhores álbuns de 2025.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

André Prando: Iririú (2024/2025)

Por João Messias Jr.
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Iririu é o mais recente trabalho do músico capixaba André Franco, que saiu originalmente em 2024 e recentemente recebeu uma versão caprichadissima via "Amigos do Vinil". Muito bem produzido e executado, o álbum apresenta um amálgama de referências musicais que tentarei descrever nas próximas linhas.

O lado A tem início com a faixa título, que mescla reggae e pop, onde os destaques são as linhas de voz do cantor, que apresentam variedade. Zum Zum Zum mescla o forró com a MPB, enquanto Kaluanã o Grande Guerreiro aposta na introspecção e partes em inglês que lembram o Queen.

As seguintes, O Lapidário de Pedras no Caminho é intimista, além de ter várias camadas  e Frágil, que encerra a primeira parte do LP com muita sofisticação e um tempero jazzistico.

O outro lado começa com Amor Te Considero tem uma vibe bem Secos e Molhados. Voltinha de Bike passeia do pop ao swing e Patuá é mais acústica e cheia de vocalizavoes instigantes. Nuvem Passageira tem muito da MPB, com passagens melancólicas.

A reta final do disco vem com a depressiva Dharma e Muita Coisa, que surpreende pelos arranjos e uma guitarra bluesy muito bem encaixada, que coroa esse álbum, que na minha opinião, figura tranquilamente entre os cinco melhores discos desse ano de 2025.

Iririú, que possui amplos significados, que vão desde um cumprimento regueiro até uma celebração, ganha o ouvinte por ser ousado e repleto de sentimentos, que ganham. Predicados que nós, fãs de boa música, só temos de agradecer.

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domingo, 12 de outubro de 2025

Mad Season: Above (1995)

Por João Messias Jr.
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Esse super grupo grunge teve suas primeiras ideias concebidas num lugar pra lá de curioso: uma clínica de reabilitação. Disposto a virar a chave ou na pior das hipóteses, maneirar o vício em álcool e drogas, o guitarrista do Pearl Jam, Mike Mc Ready frequentou um desses pontos de apoio e lá conheceu o já falecido baixista John Baker Saunders.

A afinidade foi rápida e de lá, os contatos foram feitos ao vocalista  Layne Staley (Alice In Chains) e para o baterista Barrett Martin (Screaming Três), cujo fruto dessa união foi o clássico "Above", infelizmente o único álbum lançado pelo quarteto.

Pelo curriculum dos envolvidos, era de se imaginar que coisa boa viria, mas o lance tomou outras proporções. Apesar de ter pitadas dos grupos de origem dos músicos, temos outros elementos, como o blues, soul, jazz, além de um minimalismo que funcionou muito bem na obra.

Muito bem produzido, o CD abre de forma surpreendente com Wake UP. De ritmo etéreo e hipnótico, ganha o ouvinte, assim como o ótimo refrão de X-Ray Mind. River of Deceit é bem conhecida de quem viveu a época, pois foi o primeiro vídeo de divulgação do álbum. Dona de ótimas melodias, ainda conta com um  show de Layne e interessantes camadas instrumentais.

I'm Above mescla peso e muitas referências dos anos 70, enquanto Artificial Red é sombria e psicodélica, assim como Lifeless Dead. Outra conhecida do público é I Don't Know Anything, que se destaca pelo peso e punch.

O apice do álbum fica para Long Gone Day. Também divulgada de forma maciça, conta com um dueto sombrio de Staley e Mark Lanegan (Screaming Três), além de muitos elementos do jazz/soul, inclusive com o uso de percussões e sax.

A reta final do álbum vem com November Hotel, que é um instrumental etéreo/minimalista e ALL Alone, que é atmosférica e climática, conectando o ouvinte com o início do álbum.

Uma audição prazerosa e indescritível, que rendeu disco de ouro ao quarteto. A única coisa que realmente chateia é que talvez nunca mais se tenha outros registros do grupo. Afinal, Layne, Saunders e Mark já partiram para outro plano, a não ser que entre sangue novo na parada e anime os que ainda estão vivos.

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Publicações: Homicidal Maniac

Por João Messias Jr. Imagem: Arquivo Pessoal Falar de publicações impressas é como voltar no tempo, relembrar dos meus primeiros dias do met...