terça-feira, 29 de julho de 2025

Garcia & Garcia: Mr. Fire (1991)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o primeiro e único álbum desse trio, que hoje é lembrado por ter o então jovem baterista Ricardo Confessori na formação. Só que o material contigo merece muito mais lembranças do que a citada.

Principalmente pelo fato da banda criar uma sonoridade própria. Unindo teclados do progressivo/classic rock, a velocidade do speed metal e a virtuosidade do metal tradicional, os caras conseguiram fazer algo coeso, pesado e visceral.

O LP começa com a faixa título, que apresenta aquela rifferama contagiante, assim como a seguinte, The Game. Já Just Call Your Life é bem setentista e possui em refrão que cai pro hard rock.

The Illusion encerra o primeiro lado do vinil no melhor estilo arrasa quarteirão , só que mostrando talvez a maior virtude dos caras: unir melodias bem sacadas em meio a pancadaria.

Lost in The City abre o segundo lado com muitas influências setentista, Love or Money vai numa linha mais introspectiva, prendendo o ouvinte. A reta final do álbum vem com Impunity, que conta com a participação do saudoso Kid Vinil e é bem hard rock.

So Long encerra esse ótimo trabalho de forma visceral, com muito dos anos 80, período que para muitos, foi um dos mais produtivos da história da música pesada no mundo.

Excelente estreia de caras que mereciam muito mais.

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sexta-feira, 25 de julho de 2025

Helllight: We, The Dead (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Como diz o grande amigo Fernando Cabral, "tem banda que não erra", e a que resenha temos hoje, o Helllight, é uma delas. Prestes a completar três décadas de estrada em 2026 brinda o underground com mais um belo trabalho em sua discografia, "We, The Dead".

Para quem não conhece o som do trio, eles são adeptos do funeral doom metal, que é um som extremamente lúgubre e moribundo, com espaço para momentos mais melódicos e atmosféricos, que ao contrário do death/thrash, que são mais instintivos, a parada aqui é mais para a introspecção.

Muito bem produzido e com ótimo projeto gráfico, musicalmente tem início com Echoes of Eons, que possui lindas melodias mórbidas e vozes agonizantes, só que tudo feito de uma forma bonita, coesa e refinada, que prende o ouvinte por completo.

As A Fading Sun We Lie é bem fúnebre e Despertar Cry (nada a ver com o Sepultura) começa bem atmosférica e em seu decorrer ganha peso e momentos etéreos/acústicos. A faixa título é uma espécie de interlúdio repleto de ótimas melodias.

As Deulight Fades começa bem deprê e possui a participação da vocalista sul africana Heike Langhans (Lor3l3i, Draconian), cujo dueto de vozes, dão um ar mais cinematográfico a canção. Obsolete Dreams é recheada de dramaticidade e a saideira do álbum vem com The Last March, que faz uma espécie de síntese do que ouvimos no disco.

Como foi dito no início, há bandas que não deram e com isso, o Helllight fez mais um belo capítulo em sua história e caminha para ser um dos maiores nomes da música soturna mundo afora.

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terça-feira, 22 de julho de 2025

Weedevil: Profane Smoke Ritual (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Da mesma forma que o cenário da música brutal brasileira se consolida como um dos melhores e mais produtivos, outra ramificação que há algum tempo caminha nessa pegada é a do stoner/doom e a banda resenhada de hoje tem tudo para figurar no topo: Weedevil.
   
São seis anos de caminhada, splits, EPs, singles, infinitas mudanças de formação que em nada atrapalham a crescente do quinteto, que lançou um disco poderoso, pesado e ao mesmo tempo viajante.

Se você gostou do primeiro álbum, vai se encantar com Profane Smoke Ritual, que aperfeiçoou a coisa, deixando tudo mais compacto, sem deixar a densidade de lado.

Composto de seis sons, o álbum começa com The Serpent's Gaze, que apresenta o melhor do estilo: guitarras arrastadas e recheadas de peso, vozes hipnotizantes que transportam o ouvinte a introspecção. Chronoc Abyss Of Bane é bem ritualística e a faixa que nomeia o disco a vocalista Carol Poison rouba a cena, que faz até o ouvinte pegar as letras para acompanhar.

Veil of Enchanted Shadows é pesada e dançante. Necrotic Elegy possui um tempero celta e passagens viajantes e a saideira vem com Serenade of Baphomet é uma balada pesada, com guitarras hendrixianas, dando números finais a esse excelente trabalho.

Resumo da ópera: obrigatório aos fãs das escolas dos anos 70/80 com um sabor contemporâneo.

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sexta-feira, 18 de julho de 2025

Antiklan: Under Wetiko (Hymns From Benath The Veil) (2022)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

O Antiklan é uma banda lá do Rio Grande do Norte, que já possui seus cinco anos de caminhada e em 2022, soltou seu primeiro e até então único Full da carreira, que carrega o sombrio título "Under Wetiko (Hymns From Benath The Veil)".

Lançado pela Cianeto Discos, o álbum é um mergulho as vertentes mais densas e melancólicas do doom metal, flertando com o sludge, post metal e até o rock alternativo. Fusão que tem tudo para angariar públicos distintos.

Akashic Skull da início aos trabalhos de uma forma sinistra, que depois vira uma porradaria com momentos cadenciados e angustiantes. The Other Aeon possui um ótimo refrão e Glitch in The Veil soa mais ríspida que as anteriores. 

O ritmo depressivo e arrastado de Samsara's Sweet Lullaby remete o ouvinte a década de 1990, só que de forma mais pesada, onde as guitarras se destacam. Colector of Tales and Souls, que encerra o álbum, é bem perturbadora, unindo melodias caóticas e um final apocalíptico, coroando essa boa estreia dos potiguares.

Uma banda que tem tudo para ser um dos maiores nomes do estilo no país, justamente pelo ecletismo.

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terça-feira, 15 de julho de 2025

Spiral Guru: Void (2019)

Por João Messias Jr.
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Tai uma das bandas mais interessantes desse nicho do stoner/doom nacional, pois o aqui quarteto não apenas reproduz com maestria os climas e ambiências que o estilo pede, mas coloca elementos mais etéreos/atmosféricos que deixam o trem ainda mais legal.

Lançado no formato físico em um bonito digipack pelos selos Xaninho Records, Gate Of Doom e Impaled Records, agradará em cheio aos fãs dos estilos citados no primeiro parágrafo.

Signs da início a audição e as expectativas se confirmam graças ao excelente instrumental e um refrão que cola. The Curfew at Dusk é mais introspectiva. Oracle é mais pesada e macabra.

Mindfulness é um dos momentos mais experimentais do disco, graças aos climas e atmosferas, enquanto Virtual Horizon é uma grata surpresa, por ter muito do rock dos anos 80 e Empty Spaces é um interlúdio bem introspectivo.

Caminhando para a reta final do álbum, Time Traveller é mais dançante, Showcase of Dreams volta ao pique mais arrastado/introspectivo. Holy Mountain é pesada e etérea e o último ato do disco é The Fantastic Hollow Man, dona de uma levada densa, hipnotizante e etérea.

Um dos melhores trabalhos stoner/doom feitos por uma banda nacional e vale dizer que recentemente lançaram o segundo full, "Nexus", que por enquanto só está disponível no streaming.

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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Diabállein : Anti Sacra (2025)

Por João Messias Jr.
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Esse era um dos álbuns mais aguardados dentro da música extrema por esse que fala com vocês, e o quarto disco dos caras confirma as expectativas. Unindo diversas referências dentro do black metal, o quinteto criou um som ríspido, assustador e atmosférico, graças as passagens trabalhadas, com isso, tem tudo para agradar fãs de outras vertentes metálicas.

Contando com uma bela arte, a cargo da Azoth Artwork e uma ótima gravação, "Anti Sacra" tem início com Aurora, que é uma intro, que abre caminho para Incipit Tragédia, que une momentos agressivos melódicos, que dão um ar mais épico a canção.

Eternal Vórtex soa um pouco mais veloz, Deteriorated by Time (Dust) é gélida e conta com vozes torturantes, enquanto a faixa título possui um início horripilante, que em meio a ótimas melodias, gera um contraste interessante. 

O ápice do disco vem com Burn the Morals and Dogma, que mescla passagens técnicas, ótimos solos e passagens cadenciada em meio ao clima de maldade que emana no álbum. Wisdom And Solitude é a última faixa do álbum, que é contagiante, além de se destacar pelo final cheio de virtuose e vozes em narrativa.

Um álbum maravilhoso do início ao fim, que talvez mostre o melhor período da música extrema brasileira, onde as bandas unem num pacote só, musicalidade, ótimas produções gráficas e sonoras, colocando-as em igualdade com o que é feito no exterior.

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quarta-feira, 9 de julho de 2025

Satan's Sigh : Imapaled Nazareno (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Fundado em 2023, pode se dizer que esse trio carioca trabalha rápido, pois desde então, já soltou uma demo e dois anos depois, lançou o primeiro álbum da carreira. 

Praticando um mix de death/black inspirado na escola oitentista (em especial a brasileira), os caras soam caóticos, agressivos e nada previsíveis e com isso, deixam nossos pescoços doloridos a exaustão. 

Lançado por uma conspiração de selos, o álbum começa com uma intro, que abre caminho para o som que nomeia o grupo, que é veloz e impiedosa. Eternal Evil mantém a pegada e Retumbosumbundos é um interlúdio macabro para recuperarmos as energias.

SxSxSx retoma a porradaria,  Primitive Future é a grande surpresa do disco. Mais cadenciada e macabra, beira o doom, soando diferente das anteriores. Cold Dark é outro interludio e Maldita Herança tem uma levada mais gélida, feita pra agitar.

Under the ... é o último interlúdio do álbum e Imapaled Nazareno é a saideira do álbum, com vozes assustadoras e muita energia. 

Ótima estreia do trio, que tem tudo para agradar a galera que curte as vertentes mais extremas dos anos oitenta.

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domingo, 6 de julho de 2025

Paula Abdul: Head Over Heels

Por João Messias Jr.
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Esse é o terceiro e até então último registro de estúdio dessa cantora norte americana, que antes de fazer sucesso, era coreografa de artistas tarimbados como os irmãos Michael e Janet Jackson.

Esse álbum já reflete bem as mudanças de cenário dos anos 80/90. Se nos dois primeiros trabalhos, "Forever Your Girl" e "Spellboind", haviam alguns traços de rock, esse elemento praticamente foi abolido, que apesar dos resquícios do passado, o momento aqui já era outro.

Crazy Cool, faixa de abertura do álbum, já mostra essa vibe. My Love Is For Real, que teve clipe rolando na MRV é bem introspectiva e etérea, enquanto Ain't Never Gonna Give You Up é um puta som legal, cujas melodias envolvem o ouvinte.

Love Don't Come Easy é aquele som de energia boa e If Were Your Girl é uma balada bem etérea. Sexy Thoughts é voltada ao techno/house e The Choice Is Tours é tipo aquela lenta que rolava nos bailinhos de garagem.

Ho-Down apresenta uma conexão com os primeiros tempos, Under The Influencie é um mix improvável de country/eletrônico com muitas camas de voz. I Never Knew It é envolvente. Get Your Groove On tem muito da black music.

A reta final do trabalho vem com It's About Feeling Good, cujo pique dançante capta de cara e Cry For Me é aquele som que tinha tudo pra dar errado, mas graças ao talento da cantora prende o ouvinte até o fim.

Um disco muito legal, que apesar de ter se reinventado musicalmente em alguns instantes, já mostrava a mudança de cenário, onde os mais antigos já eram descartados das gravadoras para dar espaço aos mais novos.

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sábado, 5 de julho de 2025

Santarem: Downtown Station (2004)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o primeiro full do quarteto paulista, que em 2025, completou vinte e um anos do seu lançamento. Com uma sonoridade que transita entre o hard/progressivo, tem a façanha de envolver o ouvinte, graças aos climas densos, vozes mais emotivas e uma guitarra esperta.

Lançado pela Megahard Records, o álbum em comparação ao EP de estreia apresenta uma música mais sofisticada, fazendo deste o melhor trabalho dos caras, na minha opinião.

How Much Will Be Enough abre o álbum de forma bem energética, com riffs que "te chamam", muito virtuosismo e um refrão daqueles. The Other Side é bem climática. Road to Nowhere é bem introspectiva, enquanto Eyes of Fire possui referências do hard/AOR.

Far Away é uma puta balada guiada pela emoção, Freewill é bem energética e Mainland se destaca pelas ótimas linhas de baixo. Crane's Bill Garden é bem diferente a e The Labirinth retoma o lado mais emocional do álbum.

O álbum se encerra com A Man in The Street. Um épico dividido em quatro atos, que vai mais pro progressivo, com muita emoção e virtuosismo, onde o quarteto brilha.

Uma das minhas bandas favoritas dessa linhagem musical, que em 2025 anunciou um novo álbum, que muito em breve será resenhado aqui.

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Link de entrevista feita com a banda em 2007:

terça-feira, 1 de julho de 2025

Akashic: A Brand New Day (2005)

Por João Messias Jr.
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Esse clássico do prog nacional completou duas décadas do seu lançamento. Dizer que foi um álbum injustiçado seria pegar pesado demais, mas que esse segundo álbum do quinteto gaúcho merecia muito mais, merecia com certeza.

Surgida do De Ros, a banda começou de forma promissora, lançando o debut "Timeless Realm" (2001) fazendo shows na Europa, pavimentando o caminho. Dois anos depois "A Brand New Day" seria lançado, o que só foi concretizado dois anos depois por problemas com a gravadora no exterior.

Produzido em Portugal e masterizado na Alemanha, o CD chama a atenção pela sonoridade, onde mergulharam no prog, fazendo algo denso, emocional, complexo e ao mesmo tempo de fácil audição.

Revealed Secrets já mostra as facetas descritas acima, além de apontar o diferencial do grupo: os vocais de Rafael Gubert, que tem como referências o saudoso Layne Staley (Alice In Chains) e David Coverdale (Whitesnake). Be The Hero é bem radiofônica e Envy Days é totalmente viagem.

Coming Home é bem intimista, Give Me Shelter é densa e misteriosa, enquanto Count Me Out passa um ar de mistério, graças aos climas orientais e etéreos. The Oasis Heart é um dos ápices do álbum, graças a mescla de música brasileira, hard e AOR.

A reta final do álbum vem com Hush Break, que é bem progressiva, Valdeville tem duetos interessantes de guitarra/teclado e Nose to Nose é bem pesada, mesclando prog/power, alternando climas pesados e cadenciados, com um final inusitado, com um.berimbau bem sacado.

Um dos melhores álbuns de prog feitos no Brasil com certeza. Não seria uma má ideia os caras se reunirem para alguns shows levando este trabalho na íntegra.

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Shadowside: Dare to Dream (2009)

Por João Messias Jr. Imagem: Divulgação  Só o título do segundo álbum do quarteto faz você querer conhecer o som da banda. Afinal, numa trad...