quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Overdose: Circus of Death (1992)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Os tiozões irão se lembrar do Overdose por terem tido sua parte do split riscada por fazerem uma som diferente do Sepultura. O que foi uma babaquice dos bangers da época, mas quem nunca foi assim né?

Vendo pelo lado bom, foi interessante ver que o quinteto não desanimou e construiu uma carreira sólida e consistente, que gerou diversos clássicos do metal nacional. Circus of Death, de 1992 marca a banda indo de vez ao thrash, mas antenada com o som da então nova década, indo por caminhos mais cadenciados e trabalhados.

Violence da início ao álbum, que começa até bonitinha, mas se transforma em algo visceral, The Zombie Factory é pesadíssima e cheia de groove, enquanto Dead Clowns é bem a vibe dos 90: cadenciada e empolgante.

Good Day to Die possui grande variedade instrumental, Profit é puro pogo e recebe excelentes guitarras, assim como Powerwish, que recebe um excelente dueto da dupla das seis cordas.

The Healer é uma balada thrash, Beyond my Bad Dreams possui backings bem sacados e Children of War é um bônus, que mostra a sonoridade mais coesa e agressiva, evidenciando o excelente momento do quinteto, que depois lançou os excelentes "Progress of Decadente" e "Scars".

Se você é fã do que rolou no metal nacional da década de 1990 além do Sepultura, esse álbum é um excelente cartão de visitas.

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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Exodus: Force Of Habit (1992)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

É fato que na década de 1990, salvo o Metallica e o Megadeth, nenhuma banda thrash dos anos 80 passou por bons bocados. Parte disso se deve ao aparecimento de novas vertentes como grunge, alternativo e o new metal, então, o estilo que ficou conhecido pelas calças coladas e tenis de cano alto já não chamava tanta atenção das gerações mais jovens.

Só que isso não significa que se lançaram apenas álbuns ruins nesse período. Alguns trabalhos entram na categoria injustiçados, que foram compreendidos anos depois. Como o quinto álbum dos norte americanos do Exodus. Lançado em 1992, chama a atenção pela capa horrível, mas com uma ótima produção a cargo de Chris Tsangarides (Anvil, Angra).

Musicalmente a banda manteve-se no estilo, porém usando uma linguagem mais cadenciada, muitos flertes com o hard e alternativo, mix que faz desse álbum um dos mais inspirados do grupo, mesmo que a banda não goste dele.

Thorn in My Side abre os trabalhos. Puta som contagiante, feita pra bangear, assim como a seguinte, Me My Self And I, que possui um refrão de impacto. Já a faixa título possui a vibe dos anos 90, por causa do Groove e linhas grudentas de voz.

Bitch é um cover dos Rolling Stones, que ficou contagiante.  Fuel For The Fire é outro momento mais noventista do disco. One Foot in The Grave soa mais introspectiva, Count Your Blessings lembram os velhos tempos e Climb Before The Fallé bem stoner, tendo backings bem sacados. Ainda tem muito mais.

Architect Of Pain é a mais longa do álbum. Com cerca de onze minutos, recebe um instrumental primoroso, cheio de camadas e uma ótima atuação vocal de Zetro Souza. When It Rain It Pours é empolgante, Good Day to Die é um som que foi incompreendido na época, mas que hoje mostra se uma das melhores músicas do quinteto. Densa e com elementos que vão do alternativo, até o country/Bluegrass, que culmina num som denso, muito groove e um refrão agonizante. 

Pump it Up é um cover do Elvis Costello, que ficou interessante, Feeding Time At The Zoo é devastadora, Crawl Before You Walk é energia pura e Telephatic encerra o álbum mesclando técnica e momentos apoteoticos, que coroam esse trabalho que merecia muito mais.

Mesmo com os vídeos de Thorn in My Side e Good Day to Die indo bem, inclusive figurando no Beavis And Butt-Head, eles desanimaram, retornando anos depois com o saudoso Paul Balloff nos vocais, tocando no Brasil, inclusive gerando o álbum ao vivo, "Another Lesson in Violence".

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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Silentio Mortis: In Umbrae (2017)

Por João Messias Jr.
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Lançado em 2017, esse é o primeiro full desse grupo carioca, que tem como pilar, o vocalista/guitarrista Rodrigo Freire, com a proposta de fazer um som lúgubre e pesado, com alguns temperos aqui e ali. Em especial nos vocais. Tanto os masculinos quanto os femininos utilizam o timbre natural da voz, dessa forma, fugindo das armadilhas do estilo.

O álbum começa com Sen, que é uma introdução, mas é em Umbral que vem a tona as reais intenções do grupo. Um som lento e arrastado, tendo partes velozes e melódicas. After é mais tétrica, Begotten é um interlúdio acústico e Luna tem momentos que se aproximam do gothic rock oitentista.

Deflorate é bem instigante e o disco se encerra com duas faixas longas. Ignotis possui cerca de dez minutos, que é carregada de morbidez, minimalismo e climas etéreos. The Black Satine em seus doze minutos tem climas de Hammond, vozes introspectivos e climas épicos, em especial na  segunda metade da canção.

Um disco que agradará em cheio aos doomers e vale dizer que em 2024, a banda soltou um novo trabalho, o EP "God is Dead", disponível apenas nas plataformas de streaming

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terça-feira, 18 de novembro de 2025

Dark Tower: Obedientia (2019)

Por João Messias Jr.
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Chega a ser um absurdo você ouvir um disco como "Obedientia" e crer que ainda se trata de um grupo que está buscando seu lugar ao sol, pois o terceiro álbum dos cariocas coloca muita banda gringa e nacional metida a besta no bolso.

Contando com um lindo projeto gráfico e uma gravação com excelentes timbres, mostra um black/death empolgante e viciante, que graças a produção, soa bem moderno.

Com faixas que transitam entre os cinco minutos, temos início com Punishment, que é uma introdução acústica inspirada no flamenco. Downfall é densa e melódica, God Above Nothing é mais visceral, Highland Ceremony é um interlúdio melódico e Winged Snake's Communion beira o thrash em muitos momentos.

Praxis Against Ignorante é instigante e impiedosa, a faixa título tem muito do prog, Rites of Conscience evidência o virtuosismo dos músicos e The Carnal Splendour é bem trabalhada e épica.

O encerramento do álbum vem com The Obedientia Marchs to The Abyss, que é uma espécie de "outro", bem melódica e progressiva. Um puta disco, que nos faz tentar entender o porquê desse disco não ter caído no gosto dos camisas pretas daqui. Temos de deixar essa síndrome de vira lata o quanto antes....

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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

The Melendez Karma Machine: Idem (2025)

Por João Messias Jr.
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Esse é o primeiro full dessa nova empreitada do guitarrista Alain Meléndez (ex-Mordeth/Escaras), cujo resultado é um som redondo e nada previsível,  um mix de "Avant Garde", visceralidade é um pique moderno. Mistura a qual tentarei explicar linhas abaixo:

Nitro Intro da início aos trabalhos, que como o título sugere, é uma introdução futurista e melódica. Shut The Fuck and Obey vem com guitarras pesadas e ótimos solos e The Coke Bugs possui muito groove e ótimas levadas de bateria.

Let's Make a Movie é a mais longa do disco. Com quase oito minutos, é bem quebradona e riffs inspiradissimos, além de momentos que vão do fusion ao perturbador. Mas tem mais....

... Envy The Dead é densa e pesada, Missing mescla industrial e hard rock, I've told You Chump é bem visceral e a saideira vem com Silk Road, uma balada thrash, com excelentes guitarras e muito feeling

Um disco muito bacana de ouvir e nada previsível.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Temple Of Hyperborea: Engraved From The Cemetery Gates (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Duo de responsa formado por personagens importantes do black metal nacional, como Warlord (Evil, Werewolf Bloodorder)e Sepherus Dutra (Cold Burial, Promethean Gate), cujo conhecimento dos envolvidos resulta numa música maléfica e agonizante.

Os caras já soltaram logo cara o debut logo de cara e quando temos caras que entendem do riscado, dificilmente as coisas dão errado. A aposta é num black metal gélido e ríspido, com vozes agonizantes, que agradará em cheio os fãs da segunda onda do estilo. Só que sem ficar no bate estaca, tendo partes mais cadenciadas e atmosféricas.

Descrição que bate com a faixa de abertura, Sound of Crashing Thunder. From The Unharvested Fields Of Oblivion possui vozes moribundas, Secrets of Fire é mórbida e desesperadora, enquanto Black Murder é mais minimalista.

Throughout The Timeless Night é bem trabalhada e melódica e Chalice Of Yahweh's Blood retoma o pique mais visceral. Rural Black Madness é uma surpresa, com passagens viking metal/black and roll, com uma surpresinha bem interessante. A saideira vem com The Horrid Cultura Of The Werewolf, num pique instigante e impiedoso.

Uma ótima estreia que faz os fãs do estilo ansiosos pelos próximos passos.

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https://youtu.be/9lXUfZwp7Co


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Giant Jellyfish: Dark Dharma (2022)

Por João Messias Jr.
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É fato que vertentes como doom/stoner/sludge e post metal são estilos que atravessam um ótimo momento e as consequencias são muitos grupos surgindo, com alguns desses obtendo muito destaque.

Um exemplo é o quarteto Giant Jellyfish, que em sua trajetória, lançou dois álbuns fantásticos, sendo o mais recente, "Dark Dharma", é daqueles que arrisco dizer que será comentado em muitas listas em dez ou vinte anos pela qualidade e atemporalidade.

E o que faz desse disco fantástico? Por ser uma música espontânea, densa e com referências no mínimo inusitadas. Imaginem um mix curioso do "Sabazão" da fase Ozzy, com muito do rock alternativo da década de 1990, como Sonic Youth/Pixies, tudo mesclado com peso e ambiencias irresistíveis, que gera uma espécie de stoner psicodélico.

Muito bem gravado e produzido, o trampo tem início com As Poisoning As God, que apresenta uma rifferama pesada e muita quebradeira. Navel Gazing mescla o classic rock com um cheiro noventista e Spoiler Alert é bem chapadona.

Keep Smiling é macabra é hipnotizante, Dharma soa bem etérea, Marvelous City tem um instrumental vigoroso e instigante, Native Alien tem momentos pra lá de agonizantes e Track Of Time, além de ser a saideira do álbum, mescla sintetizadores, microfonia é um clima irresistível, com um leve sabor lisérgico.

Um trabalho quase perfeito, cujo único pecado é ter sido lançado em CDr pela própria banda. Chega a ser absurdo um grupo de tamanha qualidade não ter conseguido um selo para lançar seu disco e expandir o nome pelo país e globo terrestre.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Doomsday...M&B - Call ov The Void/Coldwinter (2025)

Por João Messias Jr.
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Confesso a vocês que coletâneas e discos ao vivo são formatos que não me chamam muito a atenção. Porém, os chamados "4 way" e splits sempre me despertaram a vontade de conhecer bandas. Como o que comentarei brevemente com vocês: Doomsday...M&B, material que contém a banda mexicana Call ov The Void e a brasileira Coldwinter, que apostam na música lúgubre e pesada.

Com um digipack bem apresentável e ambos os trabalhos com uma boa gravação, me resta avaliar as bandas a vocês. Começando do grupo da terra do Guilhermo Ochoa, o Call ov The Void aposta num death/doom repleto de melodias, cujo material de avaliação é o primeiro EP do quarteto, "Drowned", de 2019.

Borrowed Time começa acústica e vozes limpas. Aos poucos ganha peso e brutalidade. No Place for The Light é bem arrastada, cuja alternância de limpos e guturais faz vir a mente o Paradise Lost. Lifeless é melancólica, tendendo para o doom/black, unindo beleza e climas tétricos, encerrando sua participação no CD com excelência.

Mantendo o nível, temos o Coldwinter, com o EP The Horizon Dawning (2016), que enveredam pelo atmosoheric black metal, com muita sofisticação e obscuridade, como escutamos em Before Dawn to Darkness.

Embracing My Funeral é arrastada, carregada e com vozes moribundas. The Solitude of Eternity bate a nostalgia, graças aos climas gélidos, que traz a mente o black/doom da década de 1990.'The Eagle Flying Over The Sky é o encerramento do álbum, que é um interlúdio atmosférico, que impressiona pela linearidade e qualidade.

Vale citar que os mexicanos lançaram um álbum em 2024 e os brazucas soltaram um novo full nos próximos meses.

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sábado, 1 de novembro de 2025

Down: NOLA (1995)

Por João Messias Jr.
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Assim como disse tempos atrás do Mad Season, o Down se enquadra no rótulo de super grupo. Formado por músicos figurantes de bandas como Pantera, Crowbar, Eyehategod e Corrosion of Conformity, os caras lançaram um disco que pode ser considerado a porta de entrada para muitos no stoner/sludge. Estilos que apesar de difundidos no exterior, engatinhavam aqui no Brasil

Com uma produção encorpada e "na cara", o álbum "NOLA", gíria para New Orleans, região onde os músicos viviam é um trabalho repleto de peso e intensidade. Temptation's Wings abre o disco, que aponta dois ingredientes primordiais no trabalho: a coesão e técnica apurada, em especial nos vocais de Phil Anselmo e nas guitarras.

Lifer é cheia de groove, Pillars of Eternity é macabra é sombria, enquanto Rehab é pesada e viciante, com um tempero lisérgico, com momentos inspirados no classic rock e doom. Hail the Leaf é densa e desesperadora.

Underneath Experience é chapadona e com clima de "ao vivo", Eyes of the South começa voltada ao southern rock até retomar a linha característica da banda. Jail é um momento inusitado do disco, pois é acústica, com percussões e vozes sombrias, sendo um dos momentos mais introspectivos até aqui.

Losing All retoma o lado mais selvagem dos caras. Stone the Crow é bem conhecida da época, pois foi o video de divulgação aqui no Brasil. Um som bem legal, que possui outras referências, como o rock sulista de formações como Allman Brothers e Lynyrd Skynyrd e Pray for the Locust é um pequeno tema acústico.

Swan Song é bem vibrante e Bury me the Smoke possui cerca de sete minutos e é bem carregada, tendo momentos assustadores, mesclados com vozes limpas, que encerra com chave de ouro esse belo debut do quinteto.

Estreia mais que vitoriosa do Down, que apesar de não terem sido os primeiros, pavimentaram o caminho do stoner, sludge e até o post metal aqui no Brasil. 

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Publicações: Homicidal Maniac

Por João Messias Jr. Imagem: Arquivo Pessoal Falar de publicações impressas é como voltar no tempo, relembrar dos meus primeiros dias do met...