Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
É fato que na década de 1990, salvo o Metallica e o Megadeth, nenhuma banda thrash dos anos 80 passou por bons bocados. Parte disso se deve ao aparecimento de novas vertentes como grunge, alternativo e o new metal, então, o estilo que ficou conhecido pelas calças coladas e tenis de cano alto já não chamava tanta atenção das gerações mais jovens.
Só que isso não significa que se lançaram apenas álbuns ruins nesse período. Alguns trabalhos entram na categoria injustiçados, que foram compreendidos anos depois. Como o quinto álbum dos norte americanos do Exodus. Lançado em 1992, chama a atenção pela capa horrível, mas com uma ótima produção a cargo de Chris Tsangarides (Anvil, Angra).
Musicalmente a banda manteve-se no estilo, porém usando uma linguagem mais cadenciada, muitos flertes com o hard e alternativo, mix que faz desse álbum um dos mais inspirados do grupo, mesmo que a banda não goste dele.
Thorn in My Side abre os trabalhos. Puta som contagiante, feita pra bangear, assim como a seguinte, Me My Self And I, que possui um refrão de impacto. Já a faixa título possui a vibe dos anos 90, por causa do Groove e linhas grudentas de voz.
Bitch é um cover dos Rolling Stones, que ficou contagiante. Fuel For The Fire é outro momento mais noventista do disco. One Foot in The Grave soa mais introspectiva, Count Your Blessings lembram os velhos tempos e Climb Before The Fallé bem stoner, tendo backings bem sacados. Ainda tem muito mais.
Architect Of Pain é a mais longa do álbum. Com cerca de onze minutos, recebe um instrumental primoroso, cheio de camadas e uma ótima atuação vocal de Zetro Souza. When It Rain It Pours é empolgante, Good Day to Die é um som que foi incompreendido na época, mas que hoje mostra se uma das melhores músicas do quinteto. Densa e com elementos que vão do alternativo, até o country/Bluegrass, que culmina num som denso, muito groove e um refrão agonizante.
Pump it Up é um cover do Elvis Costello, que ficou interessante, Feeding Time At The Zoo é devastadora, Crawl Before You Walk é energia pura e Telephatic encerra o álbum mesclando técnica e momentos apoteoticos, que coroam esse trabalho que merecia muito mais.
Mesmo com os vídeos de Thorn in My Side e Good Day to Die indo bem, inclusive figurando no Beavis And Butt-Head, eles desanimaram, retornando anos depois com o saudoso Paul Balloff nos vocais, tocando no Brasil, inclusive gerando o álbum ao vivo, "Another Lesson in Violence".
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