terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Sentenced: The Cold White Light (2002)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação

Falar do sexto álbum dessa saudosa banda finlandesa é descrever um dos discos que mais ouvi na minha vida na época do seu lançamento. Sem exageros, as audições eram diárias, tendo dias que ouvia ao acordar e dependendo da vez, ao chegar da labuta, delíciava meus ouvidos com as músicas do disco.

Para quem não conhece, o Sentenced iniciou suas atividades no final dos anos 80, mais voltada ao death metal. Aos poucos, abriu o leque para o doom, mas o pulo do gato veio com a entrada do vocalista Ville Laihalla e por consequência, álbuns como Down, Frozen, Crimson e The Cold White Light, o "Black Álbum" do quinteto.

Em comparação aos anteriores com Ville, "The Cold" soa mais pesado e orgânico, porém mais "rock" é acessível, sem abrir mão da vibe deprê. Com um belo projeto gráfico e ótima produção, o cd abre com Konevitsan Kirkonkellot, uma intro sinistra, que abre caminho para Cross My Heart And Hope to Die, aquele chiclete envolvente e um refrão apoteótico. Brief is The Light é pop/fúnebre, onde as vozes e cordas limpas se destacam.

Neverlasting tem uma vibe rock and roll. Aika Multas Mustot (Everything is Nothing) é uma balada etérea. Excuse Me While I Kill My Self é explosiva, Blood & Tears é outro momento grudento do album. You're The One é o ápice do disquinho. Emocional é totalmente pop, tendo um bonito refrão. Guilt And Regret é outra balada legal, The Luxury of The Grave é feita pra agitar e a saideira, No One There é um capítulo a parte. Outra balada cativa pela intensidade e emoção, sendo dona de um clipe triste, porém envolvente. 

The Cold White Light é daqueles álbuns que é para se ouvir diversas vezes, sem parar. Uma pena que depois disso, lançaram mais um álbum e encerraram as atividades. Como fã, não custa nada sonhar com um show especial num show nesses festivais de verão que rolam na Europa.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Obscurity Vision: Dark Victory Day (2017)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Assim como os mineiros do Luvart, a galera do Obscurity Vision teve suas atividades iniciadas nos anos 90, teve uma pausa, retomaram as coisas em 2016 e, logo mostraram o primeiro fruto de retorno, o primeiro e até então único full da carreira, "Dark Victory Day", de 2017.

Praticantes de um black metal, que possui flertes com o death/doom, que fica mais evidente pela divisão de vozes, que vão do gutural ao mais rasgado. Ie Kae da início aos trabalhos, uma intro que já entrega o maior pecado do cd: uma produção abaixo do nível da banda, o que compromete a audição.

Living In a Suicidal Dreams é veloz, assim como  Obscurity Creation. Já Benedito of Evil apresenta partes mais cadenciadas, enquanto e faixa título mostra momentos bem fúnebres. Só que temos mais...

... Apodrecendo tem muita morbidez, Slow Agony é impiedosa, I Can See apresenta uns lances mais climáticos, The Silence Is Painful tem partes minimalistas e Sick Minds aposta em momentos quebrados.

A parte final do álbum vem com Violência, que é visceral, Black Funeral é mais cadenciadas e Dark Truth, é a mais longa do álbum. Em quase dez minutos, alterna mudanças de ritmo e passagens bem trabalhadas, encerrando a estreia do então quinteto, que mostrou competência, mas esbarrou na péssima produção.

Após o debut, a banda soltou um debut com o Lord Amoth e apesar de não ter soltado nada novo, hoje atua como um trio, não posta nada novo no Instagram do grupo desde o ano passado.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Luvart: Rites of The Ancient Cults (2015)

Por João Messias Jr.
Imagem : Divulgação 

Oriunda de Juiz de Fora (Minas Gerais), a banda iniciou suas atividades em 1993, logo parou, teve um longo inverno e desde seu retorno em 2009, mantém um ritmo prolífico de lançamentos. Rotulado como black metal, o som dos caras vai muito alto, pois aposta em partes mais cadenciadas e momentos doom, que agradará em cheio os fãs do estilo, em especial a galera que curtiu os lançamentos da Cogumelo Records nas décadas de 1980/1990.

Lançado em 2015, "Rites of The Ancient Cults" tem início com Primordial Incantation, que é uma intro macabra e ritualística. Thy Draconian Majesty é ríspida, At The Gloomy Sky começa visceral e aos poucos fica mais soturna e perturbadora.

The Path of Serpent é lenta e arrastada, Summoning The Black Light é etérea e maldosa, Wrathful Tyrant é pura morbidez. Beyond the Gates of Realms é minimalista com um refrão agonizante e Tenebris Mater é épica e tétrica, encerrando o álbum, que mostra uma galera que entende do riscado e que agradará em cheio os mais trues.

Desde então, a banda lançou mais alguns álbuns, sendo mais recente, "Until The Void", de 2015.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Atropina: Prego em Carne Podre (2021)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Banda gaúcha que possui três décadas de estrada e esse é o quarto álbum do quinteto. De cara, temos impressões bem positivas, como a boa produção, ótima capa e um som híbrido, que transita entre o black/death, com ótimas melodias. Com um detalhe: tudo feito em português, provando que essa barreira do idioma não existe mais.

Vociferando Sangue começa a nossa audição, bem impiedosa, recheada de velocidade e morbidez. Blasfêmia Eterna possui climas desesperadores, Lágrimas Mortas é puro black/doom, alem de possuir ótimos solos.

A faixa título possui vozes em canto gregoriano e momentos brutais. Gélida Madeira é um interlúdio macabro, Anjo Doentio é dona de guitarras sombrias, Masmorra dos Açoitados possui riffs bem thrash, enquanto Enfermidades Torturadas tem um clima agonizante.

A reta final do disco vem com Delírios Assombrados, que é bem inspirada no metal tradicional, Hereditário Fim é  fúnebre e Pensamento Plano, que encerra o álbum é puro ódio, além de possuir um refrão marcante.

Uma excelente banda, que eu não conhecia e que agora cabe a mim, buscar os materiais antigos 

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mordeth: Hermetic Creation (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

São trinta e nove anos de carreira e esse é o quarto Full desse trio de Rio Claro, que desde sua fundação buscou trilhar um caminho diferente dos seus colegas no death metal. Fugindo dos caminhos mais casca grossa, o Mordeth incorporou uma temática mais futurista/alienígena e essas referências com o passar dos anos deixaram as coisas mais cadenciadas e progressivas.

Com uma ótima produção e excelente trabalho gráfico, o álbum tem início com Lux In Tenebris, que "nada tem a ver" com o debut de 1992, pois é uma intro narrada, que abre caminho para Alien, dona de um pique instigante e climático. Sacred Codes é veloz e cheia de groove.

Stellar Necropolis é lenta e arrastada, Memory Hunted possui momentos etéreos, a faixa título é bem progressiva e Varginha's Paradox tem partes pra lá de angustiantes.

A parte final do álbum vem com The Arcane Cosmonaut é bem morbida, Beyond the Cosmic Veil tem uma vibe viajante e a saideira, The Death of Everything é um "outro" perturbador, que coroa esse belo trabmpo do trio, que com certeza estará nas listas de melhores do ano de 2025...

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https://youtu.be/FVG91yrIRKs

domingo, 4 de janeiro de 2026

Wizards: Sound of Life (1996/2021)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Talvez uma das maiores injustiças da história do metal nacional. Por ter sido lançado no mesmo ano que "Holy Land" (Angra), a maior revista de rock do Brasil (que empresariava o grupo de Andre Matos), ofuscou esse, que não minha opinião, é o melhor disco dos caras.

Diferente das bandas da época, que apostaram na brasilidade, o Wizards foi na contramão, fazendo um mix interessante e homegêneo de hard/AOR/progressivo, que cativa logo de cara. 

Antes de falarmos das músicas, vale citar o excelente projeto gráfico dessa reedição feira pela Metal Relics em 2021, onde temos as duas capas (a da época e o relançamento), encarte com depoimentos, ou seja, tudo que um trabalho merece.

Madness é uma intro, que abre caminho para Psycho Maze, que mescla hard/progressivo com maestria, enquanto Dangerous Way combina fusion e peso. Promise of Love é uma power ballad envolvente e ideal para os momentos a dois. Vale dizer que o pessoal daquela publicação execrou a música, chamando a de brega e tudo mais. Coisas de business....

... Pico é mais um interlúdio, I'll Believe é feita para agitar e Reach Out é bem apoteotica, em especial no refrão. A melhor do disco atende por Black City, por usar cordas limpas e uma levada mais emocional. Sound of Life é bem quebradona e o track normal do álbum se encerra com Wizards II, que é irmã da faixa de mesmo nome contida no début, que mantém a linha épico/progressiva caracreristica do quinteto.

Três décadas se passaram, a banda passou por idas e vindas, lançou um disco muito bom chamado "Seven" em 2022 e como se foram quatro anos, deve vir coisa nova por aí em breve.

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Publicações: Homicidal Maniac

Por João Messias Jr. Imagem: Arquivo Pessoal Falar de publicações impressas é como voltar no tempo, relembrar dos meus primeiros dias do met...