quinta-feira, 29 de maio de 2025

Eric Martin: Somewhere in The Middle (1998)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Figurinha constante nos shows pelo Brasil, Eric Martin é a voz responsável por unir muitos casais, graças a sons como To Be With You, Just Take My Heart, Big Love e Wild World (música do Cat Stevens), o cantor do Mr. Big mostra nesse seu terceiro álbum solo que faz canções tão boas quanto a da banda que o consagrou.

A sonoridade nada tem a ver com o "Senhor Grandão", aqui temos algo semi acústico, permeado por um clima melancólico e envolvente, que ganha o ouvinte em poucos instantes. Fly on a Wall é bem alegrinha, muito legal, só que não transmite a vibe real do disco.

Wink And Smile é densa e conta com ótimo uso das cordas de nylon. Don't Count Me Out apresenta ótimos uso dos teclados/pianos e um clima jazzy. Kisses Stain é bem pop/hard lembrando muito as canções do John Waite (ex-Bad English). No One Saíd Goodbye faz uma leve conexão com a banda que projetou o cantor mundialmente.

Better Day é influenciada pelo soul/funk. A faixa título tem harmonias grudentas e That What I'm Here For é a mais rock do álbum, com um refrão sensacional. Something for Nothing é um dos momentos mais comoventes do álbum. Have I Been Here Before é bem down e Over My Heart é mais um momento influenciado pelo jazz. Só que o melhor ficou para o fim.

I Love The Way You Love Me encerra o álbum éva trilha perfeita para o dia dos namorados, ritmo envolvente, letra comovente e um refrão grandioso.

Um álbum que faz SIM frente aos melhores trabalhos do Mr. Big.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Gus Monsanto: Karma Cafe (2016)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Talvez para muitos o nome Gus Monsanto não soe tão familiar, mas o vocalista carioca possui um legado gigantesco na história do metal contemporâneo, afinal foi a voz de bandas como Revolution Renaissance, Adágio, Human Fortress, entre outros.

Aqui no Brasil, cantou no Angel Heart,  Astra e em 2016 se lançou em disco como artista solo, numa estreia com os dois pés direitos em Karma Cafe. Conhecido por trilhar por facetas entre o hard e prog, Gus colocou esses elementos no álbum, só que inseriu um toque pessoal, que envolve uma atmosfera mais intimista e melódica, o que possibilita agregar pessoas de diversos nichos. Dos caras mais ortodoxos até a galera que "apenas" ouve som no carro para trabalhar e passear.

O álbum começa com a faixa título, que é densa e emocional, que ganha o ouvinte. No Candle Left in The Box levanta todo mundo da cadeira, enquanto Elephant in The Room coloca o lado mais intimista em cena, graças as camadas instrumentais e flertes pop.

Fire And Dinamite é um dos ápices do álbum graças ao uso de voz mais limpa e o refrão de impacto. Time mescla com maestria complexidade e simplicidade e A Girl I Know tem um cowbell maroto e o ritmo da canção te envolve por completo.

Shooting Star retoma o lado mais denso e Going Insane é o ápice do álbum. Graças a sua levada "hit de novela", bem pop e refrão apoteótico. Fel mescla country e pop e Forbidden é um hard de primeira. Why é outro momento "novelistico", num pique semi acústico envolvente. After The Storm mantém a vibe, assim como Change the World.

Nothing is Impossible encerra o álbum no maior alto astral, de um álbum que tem tudo para agradar fãs de hard, prog e pop numa mesma escala.

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sexta-feira, 23 de maio de 2025

Umbrivago Sombrio: Umbrivago Sombrio (2023)

Por João Messias Jr 
Imagem: Divulgação 

Esse é o segundo full dessa horda paulista, que apesar de ter apenas seis anos de estrada, possui um bom número de materiais, entre álbuns completos, splits, demos e álbuns ao vivo. Outra curiosidade fica por conta da atuação de seus integrantes, que também fazem parte de formações como Além Homem, Cursed Christ, Dieseldörf, entre outras.

Impressões que realçam ainda mais aos olhos e ouvidos quando temos uma boa gravação e ótimo projeto gráfico, este com um uso equilibrado das cores. Musicalmente o trabalho tem início com uma intro assustadora, que abre alas para Uivador...Guardião Infernal, que é pura maldade musical graças aos andamentos ríspidos. Black Cult of Death mantém a velocidade, só que com alguns momentos mais trabalhados.

Ancião...os Antigos tem vozes inspiradas no canto gregoriano e passagens épicas enquanto a faixa título é o ápice do trabalho. Com cerca de dez minutos soa vampiresca, com ótimos teclados e vozes femininas a cargo de Fran Modresnach (Akuã). Black Litany é visceral e Cemiterio dos Amaldiçoados é uma espécie de balada black metal sensacional.

A reta final do trabalho vem com outra intro tétrica e horripilante e em seguida temos dois covers: Shemhaforash (Grand Belials Key) e After The Sepultura (Samael), que ficou tão mórbida quanto a original.

Mais uma excelente evidência do black metal nacional, cenário que não canso de dizer ser o melhor do planeta. 

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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Obscure Relic: Black Sorcery Devotion (2021)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o primeiro full desse "All Star Black Metal", que tem entre seus integrantes membros de bandas como Velho, Feretral, Lua de Plutao, Blackmoon Eclipse, entre outras, cujo resultado é um disco excelente, recheado de raiva e ódio.

A impressão gráfica/sonora é das melhores, num ótimo acabamento em digipack de luxo, tendo uma  ótima gravação, que é levada aos cantos do Brasil pela Blizzard Records/Kingdom of Darkness Productos. O bacana é que como a galera aqui é experiente, acabam fugindo da mesmice, como já percebemos em Earth, uma intro aterrorizante, que abre caminho para Knight Called Disease, que se destaca pelas vozes desesperadoras e coesão instrumental.

Vultures Fly Near é feita para agitar, cujas vozes gélidas cativam o ouvinte. Shields Of Goathorns (Hail The Hordes) possui partes velozes e desesperadoras, enquanto In The Temples Of Dark Light é mais épica e com algumas bem vindas influências thrash.

My Red Angel In The Pentagram é veloz e ríspida, To The King Of Seven Crossroads é aquele momento onde braços e pernas se movem instintivamente e o ponto alto do álbum vem com Satan, Victorious!. Graças as guitarras viciantes, em especial os solos e um refrão arrebatador.

A reta final do álbum vem com Ride The Winged Serpent tem o espírito oitentista, The Seals Of Necrorevelations é mais densa e carregada e The Last Storm Of Winter é impiedosa, mesclando momentos velozes a outros mais trabalhados. Fire (outro), como perceberam é um interlúdio que encerra o álbum, de forma épica e enigmática.

Uma excelente estreia que deixa o fã do estilo animado para futuros lançamentos.

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quinta-feira, 15 de maio de 2025

It Comes From The Dephts (2024)

Por João Messias Jr.
Arte: Wellington Lima (@wellingtonlima530)

Super split que é um
 prato cheio para a galera que curte as viagens do stoner/doom/sludge/psychodelic rock, pois esse trabalho mostra dois expoentes que, cada um na sua vibe, exploram a música até os limites.

O álbum, que conta com uma bela capa e digipack caprichado, começa com os potiguares do Son of a Witch, que prática um som bem denso, pesado e lisérgico, que trás na mente do ouvinte bandas como Black Sabbath, Corrosion of Conformity, Alice in Chains e Black Flag. Black Witch Seduction, que é viajante e desesperadora.

A seguinte, Last Ship in Space vem sem refresco, com vozes ora esganiçadas, ora limpas, que te faz embarcar numa viagem. Friend of the Sun, Mistress of The Moon é contagiante, com jeitão de hit. Grudenta e recheada de atmosferas, encerrando a participação da banda em grande estilo. Espero ouvir novos trampos dos caras em breve.

A banda seguinte é o Spiral Guru, que embora tenha algumas semelhanças, vai na praia do psychodelic rock e, por causa dos vocais femininos, tem tudo para agradar aos fãs de Lucifer/Blues Pills. Machine é aquele som que te cativa de primeira graças ao clima digamos, celestial.  Silenced Voices, faixa título do EP que estamos resenhando, começa bem bluesy e aos poucos ganha momentos mais atmosféricos, com muita melodia e envolvimento.

Caves and Graves mescla climas pesados e suaves, mas o melhor fica para o fim. The Cabin Man é o momento mais variado do quarteto. A viagem densa e etérea ganha percussões e referências da música brasileira, além de trechos em português que casaram muito bem na canção. 

A banda muito em breve lançada seu segundo Full, chamado Nexus e, assim como "a bruxa" é daqueles grupos que sempre farei questão de resenhar.

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terça-feira, 13 de maio de 2025

Witch's Consecration (2021)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Lá pelos idos das décadas de 1980/1990, os splits (assim como as coletâneas), eram uma forma mais barata e criativa para se promover bandas. Afinal, o investimento cairia consideravelmente e sobraria uma grana para fazer outras coisas. Quem não se lembra dos trabalhos que Sepultura/Overdose e Dorsal Atlântica/Metalmorphose dividiram um vinil, causando sentimentos diversos nos headbangers.

Indo ao novo milênio, e já no formato cd, alguns exemplos ficam para Vulcano/Vazio, Vulture/Mortage, Flagelador/Axecuter e o que vamos resenhar hoje: Witche's Conseceation. Material lançado pela Hammer of Damnation, que conta com as bandas Promethean Gate e Ieschure. 

Com um projeto gráfico simples, mas de grande capricho, graças ao acabamento em verniz e escrita em dourado, temos musicalmente bandas que investem naquela linha mais apocalíptica e sombria do estilo.

Vamos começar a resenha com os brasileiros do Promethean Gate. Com nove anos de estrada, o quarteto tem tudo para ser um dos maiores nomes do black metal nacional, por fazer um som mais ritualístico sem abrir mão da rispidez, como ouvimos em The Triumph of Power (The Will to Sacrifice). Densa e climática, logo abre espaço para vozes agonizantes e um clima bem doom. 

Flames of Hades é carregada de morbidez e proporciona um transe no ouvinte. The Triumph of Power (The Reborn of Man) mescla momentos cadenciados com muita velocidade. Além das músicas, os brazucas são responsáveis pelas três partes do interlúdio Witch's Consecration.

Vindo da Ucrânia, o Ieschure é uma one woman band, formada por Lilita Arndt (Lone Tower, Akhernar, Embrace of Hedera), que possui uma carreira produtiva entre EPs, fulls e splits, que chegou a dez anos em 2025. Eternal Agony chama a atenção pelos climas agonizantes e vozes esganiçadas. Phantom of God mescla momentos viajantes a outros viscerais e  In The Arms of Fate encerra a participação do grupo, soando visceral e primitiva.

Se essa for a linha musical que curtem, tenho duas ótimas notícias pra vocês: a primeira é que você pode encontrar os materiais dos dois grupos no site da Black Metal Store e o mais importante: com preços justíssimos.

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sexta-feira, 9 de maio de 2025

Entrevista: Fohatt

Por João Messias Jr.
Imagens: Tersis Zonato
Capa: Divulgação 

Resenhar álbuns é bacana, mas as entrevistas é que elucidam de vez a análise que temos dos álbuns. Pois são nelas que os entrevistados citam detalhes que muitas vezes passam batidos aos nossos olhos e mente. Como nessa entrevista feita com Gustavo Grando, vocalista do Fohatt, que em 2024 lançou "Reflections of Emptiness", um trabalho que bebe na fonte do gothic/doom praticado nos anos 2000. Só que a música não fica só na nostalgia e isso o leitor sacará nas linhas abaixo nesse bate papo:

Ouvir "Reflections of Emptiness" é um turbilhão de surpresas, das quais tentarei enumerar nessa entrevista. A primeira delas é a sonoridade, que resgata aquele "Beauty And The Beast" dos anos 2000. Essa sonoridade foi algo pensado?
Fohatt: Ela foi aparecendo de forma muito orgânica, desde quando iniciamos as composições e isso foi nos empolgando muito. O contraste entre vocais femininos etéreos e vocais guturais mais densos sempre nos atraiu. É um recurso emocionalmente poderoso e que casa bem com a proposta melancólica e introspectiva do álbum. Não buscamos soar como nenhuma banda específica, mas é inevitável que algumas influências daquela época estejam presentes, pois moldaram o nosso gosto musical.

O mais legal disso é que em momento algum soa datado e que pode sim, agregar fãs daquele período e novos fãs.
Fohatt: Agradecemos muito por essa observação. Tentamos justamente manter a essência daquele clima melancólico, mas com uma abordagem moderna na produção, nas texturas e nos arranjos. Queremos conversar tanto com quem viveu aquela fase quanto com quem está descobrindo esse tipo de som agora. A atemporalidade é um ideal que buscamos.

Mergulhando no trabalho, o que chama a atenção além da singularidade do álbum, é que vocês cometeram uma pequena ousadia: fazer essa vertente musical em português, como ouvimos em “Ecos do Passado”. Cantar no nosso idioma foi algo planejado?
Fohatt: Sim. Desde o início, queríamos experimentar com letras em português, mesmo sabendo que seria um desafio dentro do estilo doom metal. “Ecos do Passado” foi a primeira a nascer assim, de maneira muito espontânea, e sentimos que funcionou bem. O idioma transmite uma força poética única e, ao mesmo tempo, uma proximidade com o público brasileiro que é valiosa para nós.

Bestial Estigma é outro exemplo. Além da naturalidade do nosso idioma na canção, ela consegue ser contemporânea, sendo bem "rock" em muitos momentos. Foi proposital?
Fohatt: Com certeza. “Bestial Estigma” nasceu com essa pegada mais direta, um pouco mais ríspida, mas ainda dentro do nosso universo. Queríamos algo que soasse cru, quase como uma ruptura no fluxo do álbum. O uso do português contribuiu para essa sensação de proximidade e impacto.

Vocês lançaram nos formatos digital, CD e recentemente em LP. Qual a preocupação da banda em agregar tanto o pessoal que ouve no celular quanto os colecionadores?
Fohatt: Acreditamos que a música deve estar acessível em todas as frentes. O digital é imprescindível hoje para alcançar novos públicos, mas o físico, principalmente o vinil, oferece uma experiência sensorial, quase ritualística, que combina com nossa proposta. Pensamos em quem escuta no ônibus com fones e também em quem coloca o disco na vitrola e mergulha no encarte.

Vocês estão contando com parcerias para a propagação e divulgação do álbum, como os selos Metal Army e Eternal Hatred. Qual a importância dessas parceiras para a promoção do disco?
Fohatt: Essas parcerias foram fundamentais. Tanto a Metal Army quanto a Eternal Hatred acreditaram no álbum e nos ajudaram a fazer com que ele chegasse a pessoas que, talvez, não o encontrassem apenas nas redes. Além disso, há um valor simbólico em fazer parte de um catálogo de selos que têm história no underground.

E os shows? Quais os planos da banda para essa parte da promoção do álbum?
Fohatt: Alguns de nós estamos morando em estados diferentes em muito distantes devido aos trabalhos profissionais. Então tocar ao vivo é algo que está em segundo plano. Mas estamos focados nas novas composições.

Vocês são uma banda que trabalham rápido. Após "Reflections of Emptiness", gravaram um cover do Saturnus para um tributo. Quais as expectativas para esse trabalho?
Fohatt: Foi uma honra enorme participar do tributo ao Saturnus, uma banda que admiramos muito. Escolhemos “A Poem (Written in Moonlight)” por seu lirismo e profundidade emocional, que se alinham com a nossa proposta. A recepção tem sido excelente e isso nos motiva ainda mais para os próximos passos.

Muito obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês.
Fohatt: Agradecemos o espaço João e pelas perguntas tão profundas, e te parabenizamos por todo trabalho que tem feito em prol do underground, admiramos muito....“Reflections of Emptiness” é mais do que um álbum, é uma jornada emocional e espiritual que queremos compartilhar com quem sente essa mesma inquietação. Esperamos que quem nos escute se conecte de alguma forma com as sombras, os silêncios e os lampejos de luz que colocamos em cada faixa. Muito obrigado a todos!!!!!

Link da entrevista no YouTube:

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Labore Lunae: Real e Abstrato (2021)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Esse é o primeiro e até então único full da banda sul matogrossense, que chama a atenção por praticar um death/doom com muitas referências da década de 1990, além de terem saído pela Eclipsys Lunarys, selo de suma importância na propagação da música soturna.

Com um projeto gráfico muito bonito e uma boa gravação (que poderia ser mais suja em alguns momentos), o álbum tem tudo para agradar os fãs das duas vertentes citadas no parágrafo anterior. Desertos (Parte I), que abre o disco, é uma intro acústica e com ótimo uso de cordas. Real e Abstrato (Desertos - Parte II) é bem carregada com vozes limpas e guturais, dando um ar quase progressivo a canção.

Símbolo do Oriente chama a atenção pelo ritmo quebrado e os vocais recitando os versos como um poema, enquanto Sombrio é recheada de distorções e microfonias. Ruido é bem melancolia e Descanse em Paz é bem noventista com um ótimo trabalho de guitarras.

O Mor E A Lua tem referências do jazz e encerra o track normal do álbum. A seguir temos os bônus Silêncio No Fim e Decatexis, que apesar de manterem a linha adotada no álbum, você saca que soam inferiores ao Full.

Uma banda interessante que merece que seu trabalho chegue aos apreciadores de death/doom, em especial quem ama a vibe noventista dos estilos citagos. 


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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Liträo: Egomorte (2020)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Oriunda do Rio de Janeiro e por ter em sua formação músicos de bandas como Clava e Sangue de Bode, o Liträo (nome genial) faz uma fusão interessante de doom/sludge, que graças ao ritmo lento e minimalista, tem tudo para agradar também os fãs de post metal.

Tendo uma arte lisérgica bem interessante, que combina com a proposta sonora do grupo, o álbum de nome  Egomorte (título sensacional) tem início com Lugares Memoráveis, Dores Inesqueciveis, cujos andamentos lentos são assustadores, em especial por causa das afinações baixas. Enquanto Abutres Consomem nossa carne é bem minimalista, enquanto Riley Day apresenta microfonias que mostram referências como industrial e o crust.

O Filho Que Você Despreza é a mais longa do álbum. Com doze minutos, se caracteriza pela morbidez e ritmo sorumbático. 188 é um interlúdio lisérgico com cordas graves. Escrituras de uma Vida em Vão, além de ser a saideira do álbum possui um ritmo assustador, em especial pelas vozes, com destaque as linhas mais faladas do fim da canção.

Um puta disco de uma banda que agradará os doomers mais tradicionais e os fãs dessas vertentes mais "esquisitas" do metal atual.

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sábado, 3 de maio de 2025

Slaughter: Fear No Evil (1995)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

As bandas de hard rock passaram por maus bocados na década de 1990. Período em que ninguém mais queria saber das extravagâncias e exageros do estilo, preferindo algo mais simples e direto. Com isso, muitos grupos passaram por maus lençóis, tendo que renovar sua sonoridade para se tornar mais atrativas comercialmente.

Com isso surgiram discos horríveis de sabor contemporâneo e álbuns memoráveis. Como o terceiro álbum dos americanos do Slaughter: Fear no Evil. Contando com uma capa fantástica e um som mais pesado e direto, fizeram um disco no nível dos clássicos, como se ouve em Live Like's Theres no Tomorrow.

Get Used to It é um hard de primeira, enquanto Searchin (primeiro vídeo de divulgação do álbum) mostra bem a mudança sonora da época. Com uma pegada mais bluesy e setentista, escolheram bem o single. It' ll be Alright é uma balada experimental muito bonita. Já Let The Good Times Roll é aquele som de energia pura.

Breakdown and Cry é super melancólica e Hard Times é super pesada com um refrão que cola na mente. Divine Order é um interlúdio acústico. Yesterday's Gone é uma das baladas mais legais da banda, graças ao formato semi acústico.

Prellude é outro interlúdio com cheiro dos anos 80, que antecede os ápices do álbum. Outta My Head vem com riffs matadores, bem Kiss dos anos 80, tendo uma das melhores interpretações do vocalista Mark Slaughter e Unknown Destination vem na mesma linha arrebatadora da anterior, só que flertando com o metal tradicional, que encerra esse clássico do hard, que fica só um pouco abaixo dos dois primeiros.

Após Fear No Evil, soltaram em 1997 o experimental Revolution e dois anos depois, Back to Reality.

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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Sade: Cosmos Is A Great Torture Chamber (2021)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Talvez pelo nome, alguns das antigas pensarão se tratar de um novo trabalho da cantora britânica/nigeriana, Sade. Só que as coincidências aqui ficam só no nome. Pois a proposta lírica e musical dos cearenses passa longe de sons como Smooth Operator e No Ordinary Love.

Com quinze anos de estrada, o "nosso" Sade tem o nome inspirado no poeta subversivo francês, Marques de Sade e prática uma música com referências que vão do black/death/grind com tem o universo gore e sádico como conteúdo lírico.

Lançado pelos selos Black Hearts Records e Misanthropic Records, o segundo álbum dos caras chama a atenção pelo ótimo projeto gráfico, (que só peça pelos escritos em roxo) e boa gravação, que deixou tudo com cara de "ao vivo", onde a coesão se destaca logo de cara.

O disquinho tem início com Nihilistic Mantra, que é uma intro que abre caminho para Satanic Propaganda, que é brutal e recheada de morbidez. A faixa título é densa com muitos climas doom, enquanto Towards It's Extincton possui um ritmo torturante (no bom sentido).

O Brilho do Mal Ereto Sob A Divina Purificação é caótica e rápida. Horned Creature Worship é uma grata surpresa, graças as partes black and roll. Facial Fermentation (SMP) se aproxima do grind e saideira vem com Goat Semen Inoculation Ritual, onde o ritmo extremo e as vozes doentis tomam conta de tudo.

Uma excelente pedida para aqueles que gostam de música extrema, que aqui em nenhum momento, não soa "bonitinha" e com a intenção de querer agradar públicos de outros nichos. Apenas três caras tocando música brutal sem concessões.

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Publicações: Homicidal Maniac

Por João Messias Jr. Imagem: Arquivo Pessoal Falar de publicações impressas é como voltar no tempo, relembrar dos meus primeiros dias do met...