sábado, 28 de junho de 2025

Divine Death: Full Chaotic Live (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Registro ao vivo deste veterano quinteto mineiro, que possui trinta e cinco anos de estrada e resolveu comemorar (e imortalizar) a data da melhor forma: nos palcos. Esse material foi gravado em 2024, quando foram uma das bandas de abertura dos holandeses do Sinister.

Adeptos do death metal old school, o Divine Death tem tudo para agradar os fãs daquele metal da morte casca grossa, que arrebatou muitos fãs na década de 1990. O álbum, que possui uma ótima qualidade de áudio, tem início com March of Destruction, que é uma intro. As coisas começam de fato com Killing Anything, que é bem visceral, e que ganha um plus graças ao excelente nível técnico dos instrumentistas.

Suicide é curta e mortífera, enquanto Divine Death mete os pés no nosso peito, assim como Cristianism. Torment é um verdadeiro quebra pescoço. Cuts chama a atenção pelas excelentes passagens rítmicas e vozes mais gore. Warriors Terror é bem mórbida e Asphixiating Death é um doom/death de primeira. 

A reta final do álbum vem com Gore Box, que é bem trabalhada e com aqueles riffs que te "chamam pra briga". Blood Sacrifice é bem na linha clássica do estilo e Possessed é lenta e mais trabalhada, fechando o álbum de forma surpreendente.

Uma excelente oportunidade de conhecer o som do quinteto, ainda mais pelo fato de ser um lançamento da UBL (Union of Black Labels), junção de diversos selos da música extrema, o que torna esse álbum mais atrativo.

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segunda-feira, 23 de junho de 2025

Matadör: Full Moon Tales (2024/2025)

Por João Messias Jr.
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Se existe um elemento predominante na música desta banda curitibana é a raiva, pois tudo aqui transporta o ouvinte para um cenário de caos e desolação. São cinco anos de estrada, infinitas mudanças de formação, demos, singles e o EP "Full Moon Tales", lançado em 2024 virtualmente e recentemente ganhou sua versão física via Hammer of Damnation.

Com uma boa gravação, que deixou tudo alto e nítido, o lance é só curtir o black/thrash ríspido e agressivo dos caras. Full Moon é uma intro, que abre caminho para Ophidian Cult, que é cadenciada e instigante com passagens rock and roll contagiantes. 

Blood of Wolves é sombria e devastadora. Rites Of Supreme Power é veloz e perfeita para o banging, Blood Spell foca no lado mais speed e Funeral Desertor encerra o álbum de forma  impiedosa.

Excelente trabalho que agradará em cheio fãs de Motorhead, Celtic Frost e Sodom.

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sábado, 21 de junho de 2025

Papangu: Lampião Rei (2024/2025)

Por João Messias Jr.
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Só do fato desse álbum ter sido lançado na data que completei mais uma primavera é motivo que ele no mínimo é especial, o que acaba se confirmando durante a audição.

Para quem não conhece o Papangu, são uma banda formada no ano de 2012, em João Pessoa (Paraíba) e prática uma mistura curiosa e exótica, como devem ter sacado o nome do grupo. O balaio musical do sexteto agrega elementos regionais, MPB, rock progressivo, doom, stoner, sludge, com uma sonoridade "torta", porém agradável aos ouvidos, onde Chico Science & Nação Zumbi, Alceu Valença, Raimundos, Crowbar e Tool são algumas referências.

Acende a Luz (Pt1) inicia o álbum, num interlúdio que coloca o ouvinte no clima. A segunda parte começa com Encandeio, acústica e aparentemente inofensiva, se transforma em algo pesado e sombrio. Saguatimbo mostra como os caras mesclam de forma homogênea rock e regionalismo, sem soar forçado.

Boitatá tem baixo marcante e um ritmo envolvente, com vozes guturais e berradas, Oferenda do Aguilar começa e minimalista e no decorrer ganha muitas camadas instrumentais, abrindo espaço para Mulher Rendeira, sim, aquele clássico do xaxado brasileiro que aqui ficou a cara da banda.

Sol Raiar (Caminhando na Manhã Bonita) mescla regionalismo e progressivo com perfeição. Ruínas é pura viagem e Rito de Coração é a saideira do disco recheada de sensibilidade e emoção, com momentos magicos e solos de guitarra e teclado emocionantes.

Vale dizer que no mês de agosto a banda estará na Europa mostrando seu som e pelo que apresentaram aqui em "Lampiao Rei", serão mais um nome brasileiro que será reverenciado pelos gringos.

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quinta-feira, 19 de junho de 2025

Antidemon: Convergence (2025)

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação 

Novo álbum desse incansável trio paulista que possui três décadas de estrada e inúmeros shows pelo Brasil e globo terrestre. Para quem não acompanha a trajetória da banda, são adeptos de um mix de death/thrash/grind/hardcore, proposta que permanece intacta, apenas melhor executada e produzida.

O aspecto sonoro merece destaque, pois "Convergence" foi gravado no Dual Noise por Rogério "Wecko" Mainete, que deixou tudo bem timbrado e na cara, o que possibilita o camisa preta "relaxar" durante a audição. O trabalho gráfico é muito bonito, com a tradução das letras, não deixando dúvidas sobre a fé do duo.

Forever Glory inicia os trabalhos de forma mais cadenciada, "ganhando corpo" aos poucos, com algumas ambiência, lembrando o thrash/industrial dos anos 90. Realm Of Death é visceral e instigantes, enquanto a faixa título é um rolo compressor cheio de groove. 

Slaves in Hell é mais densa e evidência o belo trabalho feito pelo guitarrista Soldado (Coração de Herói, que não está mais na banda), que a trinta anos atrás, gravou KZS (Korzus), um dos discos definitivos do metal nacional. Worst Enemy mistura death e modernidades com precisão.

Since the Beggining of Time é cadenciada e caótica. The New Covenant é mais arrastada, The Battle Of Kingdoms possui um ótimo trabalho de bateria. Worst is The Lamb é carregada de morbidez e The Spirit of Truth encerra o álbum de forma brutal e com muitas partes voltadas ao hardcore/crossover, dando números finais a um dos melhores álbuns da história da banda.

Ideal para ouvir em casa após um dia de fúria e reflexões.

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sexta-feira, 13 de junho de 2025

Witching Altar: Ride With The Devil (2015)

Por João Messias Jr.
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Esse é o primeiro full dessa dupla, que possui membros radicados no Rio de Janeiro e Brasília que praticam um som que circula entre o doom/sludge/stoner, com um tempero psicodélico, que deixa tudo pesado e viajante.

São seus músicas longas e arrastadas que não enjoam, pelo contrário, cativam logo de cara. Antes de falarmos dos sons, deve ser dito o seguinte: nada aqui é para encher linguiça e se fosse um lançamento deste ano, estaria entre os melhores.

Outro aspecto de destaque fica para o projeto gráfico, com uma capa pra lá de mística, tendo um encarte detalhado, que faz o fã de vinil o ter no acervo.

Tower Of The Black Wizard da início aos trabalhos, de forma pesada e vozes hipnotizantes, que sugerem uma viagem cósmica, com uma leve acelerada que deixa tudo macabro, além de um dendê com o Hammond. The Price We Pay é arrastado a e Everything Dies encerra o lado A do vinil de forma densa e enigmática.

Son of The Devil inícia a outra metade do vinil com riffs inspiradissimos e um refrão desesperador. Unbreakable Witchcraft é mais cadenciada e Dopesmoke começa mais introspectiva, com umas narrações, vozes chapadonas e ótimos solos, coroando esse belo álbum do duo.

Nada aqui feito para encher linguiça, tudo com nível de excelência, mostrando o excelente momento vivido pelo cenário nacional...

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terça-feira, 10 de junho de 2025

Os Haxixins: Os Haxixins (2007/2025)

Por João Messias Jr.
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Uma experiência bacana e única escutar o debut álbum do quarteto Os Haxixins. Formada em 2003 na Zona Leste de São Paulo, soltou seu primeiro álbum auto intulado em 2007, que em 2025 ganhou um relançamento em vinil caprichadíssimo via Melômano Discos.

Antes da resenha, vale a pena citar algumas curiosidades. Ao começar do nome, inspirado no artigo "Lê Club Des Hachichin" (Theophile Gaultier), grupo formado por pensadores franceses sobre suas experiências com drogas, em especial o haxixe.

Antes de falar das músicas, vale um "alô" sobre a sonoridade, que bebe nos rock psicodélico dos anos 60, com os teclados na frente, vozes no fundo e bateria rolo compressor, que talvez não agrade a geração que curta coisas mais bonitinhas com fórmulas prontas.

Onde Meditar da início aos trabalhos, com ritmo viajante e dançante. Dirty Old Man é sombria e enigmática e Depois eu Volto è dona de um clima envolvente. Surgia Por Sobre a Relva é instigante, enquanto E Se As Pedras Caírem tem uma boa combinação de voz/piano. Davi & Seus Lírios mantém a viagem e Em Algum Lugar da Mente é um denso instrumental que fecha o primeiro lado do vinil.

Viagem as Cavernas não deixa a peteca cair. In The Deep End é dona de um ritmo lisérgico. Preciso te Deixar é bem cadenciada e Algumas Milhas Daqui possui uma explosão rítmica contagiante. Atrás de Espaçonaves é perturbadora, Voltei Demente as guitarras se destacam e Ácido Fincado possui um instrumental "torto", com ótimos solos.

As faixas seguintes, Depois de um LSD e Espelho Invisível são os bônus da versão em vinil, que mantém o nível das anteriores, seja pelo ótimo trabalho instrumental e pela adrenalina, que coroam esse ótimo disco.

Para quem não está familiarizado com o som, não se trata de uma um estilo fácil de assimilar, onde são necessárias algumas audições. Depois disso é partir para o abraço e caso eles apareçam na sua cidade, não hesitem em ir...

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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Saulo Simonassi: O Tom Azul do Blues (2017/2025)

Por João Messias Jr.
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Sabe aquele disco que te surpreende do início ao fim? A resenha de hoje terá um álbum nessa vibe. Originalmente lançado em 2017, o primeiro e então único álbum do guitarrista impressiona pela facilidade em transitar por diversos estilos sem soar forçado.

Em 2025, o álbum ganhou uma ótima versão em vinil, com capa dupla e vinil 180 gramas via Amigos do Vinil, grupo de whatsapp que por meio do financiamento coletivo fomenta a cultura musical capixaba.

Ainda Estou Aqui inicia os trabalhos na linha mais tradicional do estilo, bem intimista. You'd Better Think Twice já é feita pra dançar, enquanto Sailin (We've Gone So Far) é um dos ápices do trabalho. Totalmente inspirada no soul/motown, mostra a versatilidade do músico. A faixa título retoma as raízes do blues. Tá osso é um instrumental melancólico que encerra o primeiro lado do vinil.

O segundo lado do disco começa com E Aonde Eu Estou, dona de linhas de voz mais grudentas e introspectivas, que abre caminho para Festa No Céu (cover do Urublues), que é irresistível e dançante, além de ter diversas citações de artistas e produtos de décadas atrás.  Toda Noite no Blues retoma o lado mais introspectivo e Fio do Bigode prende o ouvinte graças as referências do southern rock.

Um disco que agradará os amantes do estilo, em especial fãs de Steve Ray Vaughan, Gary Moore e Hendrix.

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terça-feira, 3 de junho de 2025

Abraskadabra: Pack Your Bags (2025)

Por João Messias Jr.
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Nunca um título foi tão apropriado a um álbum como esse aqui. Em uma tradução livre, "Pack Your Bags" é algo como "Faça Suas Malas", evidenciando os shows que a banda tem feito na promoção do disco, inclusive na Europa, além de muitas datas no Sul e Sudeste nos próximos meses.

Para quem não conhece o Abskadabra, o grupo investe na mescla de ska/punk/hardcore, que aqui abriu um pouco o leque, deixando sua música mais abrangente, tendo como consequência ser um som que pode angariar mais pessoas.

Com uma excelente produção e versão física em vinil, fizeram um dos melhores trabalhos de sua história e tem início com I Was a Good Night, que é recheada de adrenalina. No Strings Attached cai mais para o ska, enquanto It's Sunny Outside tem como referência o pop dos anos 80 e a surf músic.

Killer Machine mantém o pique "irresistível" e Swings And Roundabouts começa mais introspectiva e depois tira todo mundo do chão. Talking to The Walls mostra a criatividade da banda com os instrumentos de sopro, que soam como guitarras e Better as a Team, que inicia o lado B do álbum tem um refrão daqueles.

Here And Now vai na linha do ska/surf músic, Merlin põe todos para dançar. The Last Song I'll Ever (Consciously) Write About You é a grade surpresa do álbum, puro grude, bem pop, onde vozes e backings se fundem de forma única.  Masquerade mantém esse pique e Whats The Point tem até momentos esbarrando no hard rock.

Lucky Day in Hell é aquela saideira alto astral que deixa a gente zen, pronto pra encarar mais um dia de trabalho, ou até aquela DR (risos). Pack Your Bags com certeza será presença naquelas listinhas dos melhores álbuns de 2025.

Vale dizer que a banda hoje conta com o suporte da Repetente Records e essa parceria tem tudo para alavancar o nome do Abraskadabra no Brasil e mundo afora.

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domingo, 1 de junho de 2025

Resgate: On The Rock (1995)

Por João Messias Jr.
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Fundada em 1989 na Zona Norte de São Paulo, foram um dos pioneiros do rock cristão a alcançarem um público além do seu nicho, que no ano de 1995 soltou o terceiro full da carreira. Embora não o considere o melhor disco dos caras, possui músicas que figuram nas apresentações da banda até hoje.

Esse álbum apresenta algumas novidades em comparação aos anteriores, pois vem mais pesado e com toques do hard/heavy, além de contar na produção com um dos magos da música contemporânea atual: Paulo Anhaia, que na época estava no começo da carreira, então, diga-se de passagem, não temos um primoroso trabalho de áudio, que faltou um pouco de punch.

O CD, lançado pela Gospel Records, abre com Doutores da Lei, que já mostra esse lado mais pesado, seguida de Acusador, energética e que tira todos do chão. Abrir os Olhos é bem funkeada com um refrão bem pop. Papo de Loki foca no blues e 5:50 é uma balada com ótima letra.

Tempo possui uma dinâmica interessante de guitarras, Príncipe é uma "chupinhação" de um tema da música clássica e Tá aberto Lá? Só pra Sabê, é um interlúdio. Sobre a Rocha é mais voltada ao hard rock.

Fogo lembra o rock dos anos 80, Solidão mescla groove e peso, enquanto Vida é bem apoteótica. Palavras é o ápice do álbum. Uma balada acústica emocionante e He'll Come Again é uma versão em inglês para Ele Vem, do álbum anterior, "Novos Rumos", que ficou bem interessante.

Não se trata do melhor trabalho do quarteto, mas possui músicas essenciais e tenho uma ótima notícia. O seu mais recente álbum, "Onde Guardamos as Flores" (2024), acabou de ganhar versões em CD e vinil, que incentiva aquele fã da antiga e novos colecionadores a darem uma nova chance aos caras.

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Shadowside: Dare to Dream (2009)

Por João Messias Jr. Imagem: Divulgação  Só o título do segundo álbum do quarteto faz você querer conhecer o som da banda. Afinal, numa trad...